Emilio Crespo Lisboa, 2 mai (EFE).- Um ano depois do desaparecimento da menina britânica Madeleine McCann, o caso continua estagnado em Portugal, sem que a Polícia portuguesa consiga algum avanço nas investigações ou a Justiça do país decida retirar as acusações ou acusar formalmente os pais da criança.

Em 3 de maio do ano passado, Madeleine desapareceu do quarto do centro turístico onde dormia com os irmãos gêmeos, quando passava férias com a família na Praia da Luz, no Algarve, em Portugal, em um caso que causou comoção em todo o mundo.

Na noite em que a menina desapareceu, seus pais jantavam com amigos em um restaurante próximo.

Fontes oficiais portuguesas consultadas na quarta-feira pela Agência Efe se recusaram a comentar se haverá alguma medida em relação ao caso nos próximos dias, e a imprensa portuguesa também não arrisca afirmar por quanto tempo Gerry e Kate McCann - os pais de Madeleine - continuarão na condição de suspeitos.

Além dos pais da menina, a Polícia portuguesa declarou o britânico Robert Murat, que morava perto do local onde a menina desapareceu, como "argüido", ou suspeito formal pelo sumiço de Madeleine.

Apesar não terem formalizado nenhuma acusação contra o britânico, as autoridades portuguesas também não isentaram Murat de relação com o caso, que agora está nas mãos da Procuradoria-Geral e de um tribunal de instrução.

Ao longo de um ano, o caso gerou apenas três comunicados de órgãos oficiais e duas declarações públicas do diretor da Polícia Judiciária portuguesa, Alípio Ribeiro, e nenhum deles trouxe pistas do que teria acontecido na noite em que Madeleine desapareceu.

No entanto, a imprensa de Portugal e do Reino Unido, principalmente, divulgaram várias informações atribuídas a investigadores policiais ou testemunhas com todo tipo de especulações, nunca confirmadas, sobre o que aconteceu com Madeleine e o possível envolvimento dos pais da menina no ato.

Madeleine desapareceu em 3 de maio do ano passado, nove dias antes de completar 4 anos, do apartamento onde passava férias com a família.

Desde então, não foi encontrada nenhuma pista do paradeiro da menina, apesar das revistas e das buscas no local realizadas por centenas de policiais e voluntários, e mesmo com a campanha internacional organizada pelo casal McCann para divulgar a imagem de Madeleine por todos os lugares do mundo.

As doações de vários milhões de euros recebidas pelo casal para ajudar nas buscas só serviram até agora para disparar falsos alarmes.

O mais recente deles foi em março, quando um advogado português contratou vários mergulhadores para procurar o corpo da menina em um reservatório e acabou resgatando um saco de ossos de cachorro.

A Polícia portuguesa, que em um primeiro momento se empenhou em procurar Madeleine e ajudar o casal britânico, acabou declarando Gerry e Kate como suspeitos de participação em uma suposta morte acidental e ocultação do cadáver, hipótese nunca provada que levou o casal sair de Portugal, em setembro de 2007.

Devido ao cheiro de cadáver que cães britânicos adestrados teriam detectado em agosto do ano passado em objetos pessoais e no veículo de aluguel que o casal usava no Algarve, a Polícia passou a considerar os pais de Madeleine como principais suspeitos.

Os McCann sempre negaram essas acusações e sustentam que a filha foi seqüestrada, enquanto as autoridades portuguesas admitiram que não havia provas conclusivas contra eles e, em outubro de 2007, substituíram Gonçalo Amaral, então o responsável policial pela investigação.

Porta-vozes do inspetor, principal defensor da tese do envolvimento de Gerry e Kate no desaparecimento da menina, disseram à imprensa portuguesa que Amaral publicará um livro nos próximos meses contando detalhes do caso, e também deve processar os veículos de comunicação britânicos que o difamaram.

Segundo declarações de pessoas próximas, Robert Murat também teria a intenção de processar a imprensa, já que a vida privada do britânico foi esmiuçada pelas televisões britânicas, enquanto, em Portugal, a Polícia submetia pessoas próximas a ele a interrogatório e apreendia seus pertences, que depois foram devolvidos. EFE ecs/an

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