Publicidade
Publicidade - Super banner
Mundo
enhanced by Google
 

Após um ano de desgaste, Cristina enfrenta desafios políticos e econômicos

Alejandro Méndez. Buenos Aires, 20 dez (EFE).- A presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, sofreu um grande desgaste em seu primeiro ano de Governo em razão do conflito com o setor agropecuário, e se prepara agora para enfrentar eleições legislativas decisivas em 2009, com uma economia afetada por debilidades próprias e pela crise financeira global.

EFE |

A oposição começa a perfilar uma aliança eleitoral, já que os pesquisadores vêem uma leve recuperação da imagem presidencial e acreditam que o crescimento econômico se situará em 4% no ano que vem, menos da metade da taxa anual registrada no país entre 2005 e 2007.

A gestão de Cristina, primeira mulher escolhida por voto popular para governar a Argentina, se viu marcada pela sombra de seu marido e antecessor, Néstor Kirchner (2003-2007), escolhido este ano como líder do governante Partido Justicialista (peronista).

A presidente sofreu um duro golpe em julho, quando seu vice, Julio Cobos, determinou com seu voto no Senado a rejeição a uma lei de impostos móveis às exportações agrícolas, que tinha motivado a greves de trabalhadores rurais com bloqueios de estradas durante quase quatro meses.

O conflito com o setor agropecuário provocou também as renúncias de Martín Lousteau como ministro da Economia, e de Alberto Fernández no cargo de chefe de gabinete, que ocupava desde o começo da gestão de Cristina.

Além disso, o problema desencadeou uma série de protestos contra o Governo de Cristina protagonizada pelas classes média e alta da população de Buenos Aires e de outros grandes centros urbanos.

Lousteau foi substituído por Carlos Fernández, enquanto a Chefia de Gabinete ficou nas mãos de Sergio Massa, ambos homens de confiança de Kirchner, que nos círculos políticos é considerado "o verdadeiro" ministro da Economia.

Cristina rompeu a tradição "kirchnerista" de escapar dos jornalistas em agosto, quando encarou sua primeira entrevista coletiva e começou a escrever colunas de opinião em jornais de províncias, desagradando alguns dos grandes meios de comunicação.

A governante recuperou a iniciativa política ao anunciar o cancelamento de milionárias dívidas em moratória com o Clube de Paris, no valor de US$ 6,4 bilhões, e negociações com credores que rejeitaram o refinanciamento de 2005.

No entanto, a crise financeira global deixou essas decisões em segundo plano e o Governo de Cristina passou a brigar pela transferência ao Estado de investimentos de US$ 23 bilhões nas mãos dos fundos de previdência privada, aos quais o Parlamento pôs fim por meio de uma reforma em novembro.

A presidente também conseguiu a aprovação de uma lei de resgate da Aerolíneas Argentinas que abriu as portas para a desapropriação da companhia do grupo turístico espanhol Marsans, o que deve gerar um longo litígio no tribunal arbitral do Banco Mundial (BM).

Além disso, foram anunciados investimentos de US$ 21 bilhões em obras públicas e incentivos tributários para que as empresas repatriem capitais e regularizem funcionários não declarados, entre outras medidas para enfrentar a crise global, que provocou a demissão, suspensão ou férias antecipadas de cerca de 150 mil trabalhadores.

As principais forças da oposição acusam o Governo de Cristina de "saquear" os fundos da antiga previdência privada para refinanciar a dívida soberana e, sobretudo, conter um maior gasto público visando ao próximo ano eleitoral.

Com certa popularidade entre as classes média e alta, e afastado do Governo, Cobos organiza um partido político próprio. Além disso, estuda com a União Cívica Radical (UCR), segunda força parlamentar, que o tinha expulsado em 2007, a possibilidade de aliar-se ao casal Kirchner para chegar à Vice-Presidência.

A UCR, a Coalizão Cívica - terceira força parlamentar - e o Partido Socialista começaram a desenhar uma aliança de olho nas eleições legislativas de outubro de 2009.

Em momentos em que a oposição segue dispersa, os pesquisadores estimam que o Governo de Cristina conta com o apoio de entre 30% e 35% da população, o suficiente para o partido governante se manter como primeira força no Parlamento se as eleições legislativas de 2009 fossem realizadas agora. EFE alm/ab/plc/mh

Leia tudo sobre: iG

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG