BRASÍLIA (Reuters) - A embaixada brasileira em Porto Príncipe foi muito danificada pelo terremoto de magnitude 7 que devastou o Haiti na terça-feira, mas todos os funcionários da representação brasileira escaparam ilesos da tragédia, disse o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, nesta quarta-feira. Não temos nem onde atender nenhum brasileiro. Nossa embaixada, para efeitos práticos, não existe, disse Amorim em entrevista coletiva no Itamaraty, acrescentando que três diplomatas e quatro funcionários da missão brasileira passam bem.

O chanceler informou ainda que o representante especial adjunto da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti, o brasileiro Luiz Carlos da Costa, está desaparecido.

"O número 2 da chefia civil da Minustah (nome da missão de paz da ONU no Haiti) é um brasileiro, Luiz Carlos da Costa, e não há ainda nenhuma informação a respeito dele. Por ora está desaparecido", disse Amorim.

Em Porto Príncipe, o presidente haitiano, René Préval, afirmou que o chefe da missão da ONU, o tunisiano Hedi Annabi, estava entre os mortos do terremoto que, segundo ele, pode ter deixado entre 30 mil e 50 mil mortos.

"O embaixador Annabi morreu. Enviamos nossas condolências a toda a comunidade internacional", disse Préval a jornalistas.

O prédio de cinco andares que abrigava a missão da ONU em Porto Príncipe desabou com o tremor. Segundo informações da organização, Costa e Annabi estavam trabalhando juntos dentro do edifício no momento do terremoto.

A comunicação com o Haiti é bastante precária, segundo o ministro, e a chegada de informações é difícil.

Amorim acrescentou que o Brasil ajudará o Haiti com 15 milhões de dólares, o que ele classificou como um valor "significativo".

Até o momento já foram confirmadas as mortes de 12 brasileiros no Haiti, sendo 11 militares. A fundadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns, que estava no país para uma série de palestras, também morreu.

O Brasil lidera as tropas da Minustah e tem 1.266 militares no país. A Minustah tem contingente de cerca de 9.000 pessoas, sendo pouco mais de 7.000 militares.

O palácio presidencial haitiano também desmoronou e o presidente Préval, que sobreviveu à tragédia, disse que o cenário na capital é "inimaginável".

Ainda não há informações oficiais sobre o número total de mortos, mas o primeiro-ministro haitiano, Jean-Max Bellerive, disse que as mortes podem passar de 100 mil.

(Reportagem de Isabel Versiani)

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