Após tombo, papa repassa situação do mundo em mensagem de Natal

Juan Lara. Cidade do Vaticano, 25 dez (EFE).- Em uma mensagem de Natal marcada pelo empurrão que uma mulher desequilibrada lhe deu, o papa Bento XVI denunciou hoje o egoísmo do Ocidente e disse que a grave crise econômica atual é sobretudo uma crise moral.

EFE |

Diante de dezenas de milhares de pessoas que foram à praça de São Pedro do Vaticano para a tradicional mensagem natalina e a bênção "Urbi et Orbe", Bento XVI apareceu com uma boa aparência e a voz clara.

O porta-voz vaticano, Federico Lombardi, disse que o Bispo de Roma "está bem" e não sofreu dano algum. Ao comentar o ocorrido, destacou que a segurança de Bento XVI não pode blindá-lo 100%, a não ser "criando uma muralha de separação entre o pontífice e os fiéis, algo impensável", dado o desejo do papa de se aproximar das pessoas.

Sobre a dinâmica do incidente, cujas imagens deram a volta ao mundo, Lombardi contou que, durante a procissão de entrada na basílica, "uma pessoa desequilibrada", Susanna Maiolo, de 25 anos e nacionalidade ítalo-suíça, pulou a cerca.

Apesar da rápida intervenção da segurança, ela conseguiu chegar até o papa e agarrá-lo, fazendo-o perder o equilíbrio e cair no chão.

O pontífice, destacou o porta-voz, se levantou imediatamente e retomou a procissão até o altar maior, onde celebrou, "sem nenhum outro problema", a Missa do Galo.

Na confusão, também caiu no chão o cardeal francês Roger Etchegaray, de 87 anos. Ele, que quebrou uma parte do fêmur, será operado nos próximos dias em um hospital de Roma.

O porta-voz do Vaticano admitiu que a mulher, que vestia uma camisa vermelha, é a mesma que no ano passado, no final da Missa do Galo, tentou jogar-se sobre o papa, sendo detida pela segurança.

Lombardi disse que nunca ninguém pensou que a fanática fosse perigosa, do contrário ela não teria sido autorizada a voltar no templo. Após o incidente, a mulher foi internada em um centro psiquiátrico para tratamento.

Recebido por vivas e aplausos, Bento XVI ressaltou em sua mensagem de Natal que, assim como Maria, a Igreja não tem medo, já que sua força está na criança e, por isso, oferece Jesus a "quantos o buscam com o coração sincero, aos humildes da terra e aos afligidos, às vítimas da violência e a todos os que desejam ardentemente o bem da paz".

O Pontífice acrescentou que, "nesta época marcada por uma grave crise econômica - mas antes de nada de caráter moral - e por guerras e conflitos", Cristo é "a esperança do homem".

O papa também pediu à Europa e à América do Norte que "superem a mentalidade egoísta e tecnicista, promovam o bem comum e respeitem os mais fracos, começando por aqueles que ainda não nasceram".

Ao falar sobre a América Latina, Bento XVI disse que a Igreja ajuda na "retomada do caminho institucional" em Honduras e que, em toda esta região, ela "é fator de identidade, plenitude de verdade e caridade".

O Bispo de Roma pediu ainda respeito aos direitos inalienáveis de cada pessoa e a seu desenvolvimento integral.

Já em relação à Terra Santa, onde esteve em maio, fez um apelo para que cada habitante da terra onde nasceu Jesus abandone "toda a lógica de violência e vingança", e se comprometa "com renovado vigor e generosidade no caminho rumo a uma convivência pacífica".

Outros países lembrados pelo papa foram o Iraque, o Sri Lanka, as duas Coreias e as Filipinas, além da República Democrática do Congo, pela qual "implorou o fim de todo abuso".

Em relação à Guiné e ao Níger, Bento XVI pediu respeito aos direitos humanos. Quanto a Madagascar, desejou que esta nação supere as divisões internas.

O papa afirmou ainda que a Igreja é solidária às vítimas das calamidades naturais e da pobreza e fez um apelo para que os emigrantes que fogem da fome, da intolerância ou da degradação ambiental sejam sempre bem acolhidos. EFE JL/sc

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