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Após terremoto, população de L Aquila encara futuro sombrio

Por Deepa Babington LAQUILA, Itália (Reuters) - Como centenas de outros sobreviventes, Angela Camon acordou na terça-feira no chão de uma tenda improvisada e deparou-se com a dura realidade de ter de reconstruir sua vida depois do devastador terremoto da véspera na cidade italiana de LAquila, que matou mais de 200 pessoas.

Reuters |

Sua casa foi destruída, e seu escritório ficou muito danificado por causa do sismo, que transformou prédios e sobrados em pilhas de escombros. Atordoada, Camon, de 37 anos, sentou-se sobre um cobertor com uma Bíblia nas mãos.

"Não consigo nem pensar no futuro, porque não tenho ideia do que faremos", disse Camon, contendo as lagrimas, para então contar como ela e o marido saltaram pela janela para fugir quando o prédio em que viviam começou a desmoronar ao seu redor.

"Ontem foi um dia de muito pânico. Agora só sinto uma profunda tristeza", afirmou.

Em frente à barraca, Antoneta Florentina estava de pé, agarrada a um cobertor e com o rosto fechado. Essa romena que cuida de uma idosa italiana de 86 anos não tem intenção de voltar ao seu emprego ou ao apartamento onde vivia. Ela cogita voltar para a Romênia caso não encontre mais trabalho na Itália.

"Não vou ficar aqui em L'Aquila. Estou assustada demais. Quando penso no que vou fazer, não tenho nem ideia. Talvez eu vá para Roma procurar trabalho. Sei lá."

Algumas pessoas que despertavam depois de enfrentar a noite fria quase ao relento choravam abertamente. Outros olhavam desamparadamente para o vazio, encontrando pouco consolo na manchete de um jornal local, distribuído gratuitamente: "Estamos todos com vocês".

Parada numa longa fila para receber leite quente e chá, Anna Bruno, de 70 anos, se perguntava se poderia resgatar a casa, de dois andares, onde ela viveu durante 31 anos. O imóvel não desabou, mas exibe rachaduras profundas.

"Se eu penso em voltar para casa, tudo o que vejo na minha cabeça são essas rachaduras gigantes na parede. É só o que eu penso repetidamente. Mas sou daqui, tenho de ficar aqui, para onde eu iria?"

Para Marco Manetta, os problemas da sua casa são pequenos em comparação ao estrago para a sua pequena empresa de bebidas. Sabendo que os bares da cidade -- seus clientes -- estão fechados por tempo indeterminado, e vivendo agora em uma grande tenda azul, Manetta está sem esperanças.

"Para mim é isso, acabou tudo. Vai levar anos para voltarmos para onde estávamos", disse.

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