Premiê nega que notícia sobre plano de assassinato contra ele tenha sido jogada eleitoral antes das votação de domingo

O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta terça-feira que não teme atentados contra ele, um dia depois de a TV estatal russa anunciar que um plano para assassinar o premiê foi frustrado .  “As pessoas na minha posição têm de conviver com isso”, disse o líder. “Não seria possível seguir em frente com medo. Eles que tenham medo de nós.”

O premiê, que é candidato na eleição presidencial marcada para domingo, negou as acusações feitas pela oposição de que a notícia do complô foi inventada para favorecê-lo na votação. Putin disse que já foi alvo de outros planos de ataque no passado e seu porta-voz classificou as acusações de “blasfêmia”.

Leia também: Entenda a importância e as polêmicas das eleições na Rússia

O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, anda de ônibus com populares em Astrakahn
AP
O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, anda de ônibus com populares em Astrakahn

De acordo com a TV russa, os serviços secretos do país e da Ucrânia prenderam dois suspeitos de envolvimento em um plano para matar Putin, que agiam sob o comando de Doku Umarov, líder do grupo rebelde islâmico Emirado do Cáucaso.

Umarov e seus seguidores reivindicam a criação de um Estado islâmico independente na região russa do Cáucaso, território que inclui Chechênia, Daguestão e outros territórios vizinhos. O grupo não se pronunciou sobre o caso.

Os homens teriam sido presos em Odessa, na Ucrânia, após uma explosão acidental em 4 de janeiro, quando fabricavam explosivos em um apartamento alugado.

Leia também: Rússia diz que plano para assassinar Putin foi frustrado

De acordo com a emissora, um dos homens, que seria checheno, morreu no incidente. Outro, Ilya Pyanzin, do Cazaquistão, ficou ferido e foi preso.

Pyanzin teria, então, levado os investigadores até outro suposto envolvido, Adam Osmayev, um checheno que já viveu em Londres.

A emissora estatal mostrou imagens da prisão de Osmayev em Odessa e uma entrevista na qual ele descreveu a missão do grupo: “Nosso objetivo era ir até Moscou e tentar matar o primeiro-ministro Putin. Nosso prazo era logo após a eleição presidencial russa’.

Ele disse ter se recusado a atuar como homem-bomba, papel que caberia ao checheno morto na explosão acidental. Osmayev teria levado investigadores até explosivos implantados perto de uma avenida em Moscou na qual Putin costuma passar para ir de sua casa ao escritório. Um policial disse à emissora que os suspeitos tinham vídeos do comboio do premiê, que usavam para se preparar.

Como Putin afirma que a vitória sobre os rebeldes chechenos é uma das principais conquistas de seu governo, analistas acreditam que a notícia de um plano frustrado do grupo pode aumentar o apoio à candidatura do premiê à presidência.

Nesta terça-feira, uma pesquisa divulgada pelo instituto VTsIOM, ligado ao governo russo, disse que o premiê tem 60% das intenções de votos contra 15,1% de Gennady Zyuganov, líder do Partido Comunista. O levantamento disse ter ouvido 1,6 mil eleitores.

Gennady disse que a notícia sobre o complô contra Putin foi “um truque”. O líder do Partido Nacionalista, Vladimir Zhirinovsky, afirmou que a notícia foi inventada para influenciar “velhinhas com pouco estudo”.

Putin, que foi presidente entre 2000 e 2008, enfrenta uma onda de descontentamento sem precedentes na Rússia. No domingo, milhares de russos fizeram uma corrente humana em volta do centro da cidade de Moscou, em protesto contra o premiê.

Como uma mudança constitucional estendeu o mandato presidencial russo de quatro para seis anos, Putin tem a chance de ficar até 12 anos do poder caso vença a eleição de 2012 e busque a reeleição.

Com AP, EFE e AFP

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.