BARILOCHE - A presença de tropas estrangeiras não deve constituir uma ameaça para a soberania regional, afirmaram nesta sexta-feira os presidentes dos países que integram a União das Nações Sul-Americanas (Unasul). A conclusão ocorreu após um debate de sete horas sobre o uso de bases militares colombianas pelos Estados Unidos, durante reunião na cidade argentina de Bariloche.

EFE

Presidentes posam para foto oficial da cúpula da Unasul

Os governantes chegaram, enfim, a um acordo que inclui, também, uma chamada para "uma reunião extraordinária de ministros das relações exteriores e da Defesa, para que apresentem medidas de fomento da confiança e da segurança", segundo a declaração final do encontro.

Além disso, os doze países membros da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) expressaram sua vontade de "reafirmar o compromisso de fortalecer a luta e a cooperação contra o terrorismo e a delinquência organizada, o tráfico de armas e a ação de grupos armados à margem da lei".

Impaciência

Durante a reunião, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se queixou diante de seus colegas da Unasul pela extensão e pela transmissão ao vivo na TV de uma cúpula onde se discutiu um convênio militar entre Estados Unidos e Colômbia. "Não temos o direito de passar um dia inteiro discutindo", disse Lula, visivelmente irritado com a reiteração dos discursos após mais de seis horas de deliberações encabeçadas pelos presidentes da União.

O presidente brasileiro criticou seu colega do Equador, Rafael Correa, por achar que ele não coordenou adequadamente a reunião. Correa ocupa a presidência rotativa do organismo, que está reunida na cidade argentina de Bariloche.

A intervenção destemperada de Lula ocorreu quando Correa pediu o quarto intervalo para que os chanceleres terminassem de elaborar um documento e concluir o encontro.

Os chanceleres da Unasul elaboravam um documento que permitisse concluir a cúpula com algum tipo de entendimento, em meio à crise política provocada pelo acordo que permitirá aos Estados Unidos usar bases militares colombianas para combater o narcotráfico.

Evo Morales

Também na cúpula, o presidente da Bolívia, Evo Morales, disse que não assinaria "nenhum documento" que não expressasse uma rejeição da União de Nações Sul-Americana (Unasul) à presença de bases militares estrangeiras na região.

"Sinceramente, digo que é impossível que eu assine um documento que não diga que 'rejeitamos as bases estrangeiras na América do Sul'", ressaltou, em seu discurso.

Morales disse que as controvérsias que rodeiam o pacto de cooperação militar entre a Colômbia e os Estados Unidos estariam "resolvidas" se o texto "incluísse o que diz" o líder colombiano, Álvaro Uribe, que "não há bases militares americanas em território colombiano".

"Uribe disse que não há bases militares dos EUA na Colômbia, pois assinemos isso que reiterou nosso irmão presidente Uribe", insistiu Morales.

O governante boliviano reiterou sua proposta de convocar um plebiscito para que a população sul-americana, que, segundo sua opinião, "é antiimperialista", se pronunciasse sobre a presença militar estrangeira na região.

"Não há porque ter medo de nossos povos. Seria histórico. Certamente vamos consultá-los", disse.

Também repetiu que tropas de elite do Comando Sul das Forças Armadas dos EUA "lideraram" o golpe de Estado que retirou o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya do poder, no dia 28 de junho.

Morales afirmou que "o único intervencionismo que houve antes e agora na América Latina é o dos americanos" e que "estão tentando enganar a população com a luta contra o narcotráfico".

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