Após servir a Bush e Obama, Gates deixa comando da Defesa dos EUA

Secretário de Defesa despede-se do cargo recebendo máxima condecoração militar; ele será substituído por ex-diretor da CIA

iG São Paulo |

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, despediu-se nesta quinta-feira do cargo com honras reservadas a grandes estadistas, em cerimônia militar na qual recebeu a máxima condecoração presidencial.

O presidente Barack Obama, com o qual colaborou estreitamente na estratégia para as guerras do Iraque e Afeganistão, reconheceu o importante trabalho desenvolvido por Gates e lhe entregou, de surpresa, a Medalha Presidencial da Liberdade.

Em cerimônia no prédio do Pentágono, em que foi disparada uma salva de 15 tiros de canhão, Obama elogiou o "bom senso e a decência" do político, que descreveu como um "humilde patriota americano". Gates "é um homem que aprendi a respeitar", disse Obama, assegurando que ele não só foi um dos secretários de Defesa mais duradouros, "mas também um dos melhores".

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Secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, e o presidente dos EUA, Barack Obama, fazem saudação durante cerimônia de despedida de Gates no Pentágono
Obama declarou também que Gates "foi exemplo de uma pessoa que prima pelo dever cidadão sobre o interesse partidário" por sua capacidade de trabalhar com democratas e republicanos. "Essas são virtudes que precisamos hoje mais do que nunca", disse Obama.

Gates, de 67 anos, foi nomeado secretário de Defesa no final de 2006 pelo então presidente, o republicano George W. Bush, e após as eleições de 2008 seu sucessor, Barack Obama, pediu que permanecesse no posto. É o único secretário de Defesa na história dos EUA que sobreviveu a uma mudança na Casa Branca.

Gates concluiu nesta quinta-feira 40 anos de serviço público, durante os quais trabalhou para governos de oito presidentes diferentes, a maior parte pela Agência de Inteligência dos EUA (CIA), na qual esteve quase 30 anos, de 1991 a 1993, como diretor. Ele erá substituído a partir desta sexta-feira no Pentágono por quem até há pouco tempo era o diretor da CIA, Leon Panetta .

Ele chegou ao Pentágono em um momento difícil, em novembro de 2006. O partido republicano acabava de ter um revés eleitoral e devia substituir Donald Rumsfeld, que na época estava vinculado com a estratégia de invasão do Iraque.

Gates aceitou o cargo e implementou uma nova estratégia para o conflito iraquiano promovida pelo general David Petraeus, que consistia em um aumento rápido das tropas americanas e a colaboração com milícias sunitas para erradicar grupos vinculados à Al-Qaeda.

Obama e o chefe do Estado-Maior Conjunto, almirante Michael Mullen, referiram-se nesta quinta-feira ao esforço de Gates para reestruturar as Forças Armadas e para dotar as tropas em zonas de guerra com equipes e transportes mais adequados para se proteger dos explosivos usados pelos rebeldes.

Ele também se envolveu na mudança na política oficial das Forças Armadas dos EUA para seus membros homossexuais. Desde 1993 a participação de homossexuais na vida militar estava regulada pela política de "Don't Ask, Don't Tell", pela qual podiam ser despedidos se sua orientação sexual fosse confirmada publicamente.

Em 2010, o Congresso finalmente aprovou a legislação que permite a participação aberta de homossexuais nas Forças Armadas , e Gates ordenou imediatamente que se iniciassem programas de mais educação para a tolerância entre os militares.

Outra das tarefas que Gates desenvolveu foi o corte no Orçamento de Defesa, que representa 25% do orçamento geral dos EUA. Gates identificou áreas do orçamento militar em que se poderiam economizar até US$ 78 bilhões nos próximos dez anos, mas agora corresponderá aplicar esse plano de austeridade a Panetta, que foi diretor do Escritório de Orçamento sob a presidência de Bill Clinton.

*Com EFE

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