Após romperem diálogo com governo, estudantes protestam no Chile

Polícia usa jatos d'água e gás lacrimogêneo para dispersar marcha não autorizada no centro de Santiago

iG São Paulo |

Após romperem o diálogo com o governo, estudantes chilenos voltaram às ruas de Santiago nesta quinta-feira para exigir melhorias no sistema de educação pública. A polícia usou jatos d'água e gás lacrimogêneo para dispersar a marcha que começou na Praça Itália, no centro da capital.

De acordo com a governadora de Santiago Cecilia Pérez, pelo menos 28 manifestantes foram detidos e seis policiais e dois civis ficaram feridos nos distúrbios.

AP
Policial persegue manifestante durante protesto estudantil em Santiago, no Chile

Autoridades chilenas tinham permitido a manifestação desde que ela acontecesse na região da Universidade de Santiago. Os estudantes ignoraram a proibição, seguiram o percurso planejado inicialmente, partindo da Praça Itália.

Quando a polícia agiu para dispersar a manifestação, grande parte dos estudantes abandonou o local. Outros responderam atirando pedras e paus, incendiando barricadas e destruindo cercas e semáforos em diversos pontos da capital.

Os distúrbios forçaram o fechamento do comércio e de algumas estações de metrô, bem como a interdição do trânsito em várias ruas, inclusive na Alameda, principal artéria viária da capital chilena.

Para esta noite, foi convocado um panelaço. Ao longo do dia também houve distúrbios, embora de menor magnitude, nas cidades de Valparaíso, Concepción, Temuco e Valdivia.

Sem diálogo

A manifestação foi convocada após lideranças estudantis interromperem o diálogo com o governo do presidente Sebastián Piñera que tentava solucionar um impasse que dura cinco meses.

"O governo não está garantindo a educação como direito universal", enfatizou a líder dos estudantes, Camila Vallejo , após o término de uma reunião de mais de três horas, a segunda com o ministro da Educação, Felipe Bulnes.

Educação pública gratuita e de qualidade é a reivindicação central das mobilizações estudantis que desde maio movimentam o Chile, onde o Estado subvenciona parte da educação privada.

Camila, presidente da Federação de Estudantes do Chile (FECh), que reúne os alunos da Universidad de Chile, assegurou que "infelizmente no governo não há disposição real para construir um sistema nacional de educação pública, gratuita e de qualidade para todos".

No último sábado, Piñera, afirmou que o país não pode oferecer um sistema educacional totalmente gratuito, além de não ser justo o financiamento dos estudos de pessoas que podem pagar por eles.

Os estudantes universitários e do ensino médio já promoveram desde maio cerca de 40 interrupções e manifestações públicas, muitas das quais derivaram em distúrbios.

Com EFE e AFP

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