A União Européia (UE) e o Egito fizeram um apelo neste domingo pela reconciliação entre o movimento Fatah, do presidente da Autoridade Palestina Mahmud Abbas, e o grupo radical islâmico Hamas, com o objetivo de facilitar o acesso à Faixa de Gaza e colaborar para o avanço do processe de paz israelo-palestino.

"Somos da opinião que a reconciliação palestina, coordenada pelo presidente Mahmud Abbas, é fundamental para progredir", declarou na noite deste domingo o ministro tcheco das Relações Exteriores, Karel Schwarzenberg, cujo país ocupa a presidência rotativa da UE.

O chanceler tcheco falou após a reunião dos chefes da diplomacia dos 27 países membros do bloco europeu, em Bruxelas, com seus pares de Egito, Jordânia, Turquia e da Autoridade Palestina.

O chefe da diplomacia egípcia, Ahmed Abul Gheit, se mostrou esperançoso sobre a possibilidade de que um governo de união nacional reunindo as duas facções palestinas seja formado dentro de um mês.

No fim de fevereiro, o governo do Egito pretende organizar uma conferência de doadores para ajudar na reconstrução de Gaza, devastada após três semanas da ofensiva militar israelense contra o Hamas, que controla este território.

"Imagino que, de agora em diante, teremos a perspectiva de um governo de reconciliação nacional, que estará apto a utilizar os fundos" desbloqueados, disse Gheit à imprensa.

Os territórios palestinos estão divididos desde junho de 2007, quando o Hamas expulsou a Fatah da Faixa de Gaza e assumiu seu controle, limitando a autoridade de Abbas à Cisjordânia.

O governo palestino já foi coordenado por um primeiro-minsitro do Hamas, Ismail Haniyeh, depois que o grupo islâmico venceu as eleições legislativas de janeiro de 2006.

Depois de 18 meses de uma difícil coexistência, somados à tomada de Gaza, Abbas decidiu destituí-lo, consolidando a ruptura entre as duas facções.

"Se não conseguirmos solucionar as divisões da sociedade palestina, será muito difícil progredir de verdade em Gaza e no processo de paz", declarou à imprensa o ministro sueco das Relações Exteriores, Carl Bildt, antes do início da reunião.

"Está na hora dos palestinos conversarem entre eles", acrescentou.

O chanceler britânico David Miliband classificou como "absolutamente essencial" a "reunificação do povo palestino", para que ele possa falar "com uma só voz".

Além disso, Miliband disse ser "muito significativo" o apelo de países do mundo árabe pela formação de "um governo de consenso" nos territórios palestinos sob a autoridade do presidente Abbas.

"Acredito ser necessária a formação imediata de um governo palestino de consenso", estimou por sua ver o chefe da diplomacia luxemburguesa, Jean Asselborn. Caso contrário, estimou, "não conseguiremos nunca organizar a ajuda humanitária e abrir Gaza".

O ministro italiano Franco Frattini declarou, por sua vez, que é preciso "incentivar e ajudar os egípcios, que lideram os esforços para reconciliar todas as facções palestinas".

Antes da reconciliação, porém, a UE defende como prioridade a abertura das passagens fronteiriças para a entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza.

Durante a reunião, o chanceler palestino, Riad al Maliki, destacou que Gaza necessita de 800 caminhões diários carregados de ajuda humanitária, e que até o momento apenas 150 têm sido permitidos.

Para convencer a Israel, a UE propõe reativar sua missão de observadores na passagem de Rafah, entre Gaza e o Egito, para impedir o contrabando de armas.

Entretanto, Osama Hamdan, representante do grupo radical islâmico Hamas no Líbano, deu alarmantes declarações neste domingo, afirmando que seus militantes continuarão se armando e desenvolvendo sua capacidade militar, e que ninguém poderá impedi-lo.

"Nem os porta-aviões, nem a vigilância aérea e marítima poderão nos impedir de comprar armas ou de levar armamento para a Faixa de Gaza e para a Cisjordânia", afirmou Hamdan em Beirute.

"A resistência (contra Israel) deve continuar e deve prevalecer, e para isso precisamos ter armas, é um direito legítimo", acrescentou.

"Quaisquer que sejam as medidas adotadas, nós não vamos capitular, e vamos continuar comprando armas para servir à resistência", insistiu o dirigente do grupo islâmico.

ylf/ap

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