Após reunião com Lula, Chávez se diz 'otimista' sobre Colômbia

Presidente brasileiro visita Bogotá neste sábado para a posse do novo líder do país, Juan Manuel Santos

iG São Paulo |

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que está "muito otimista" quando à possibilidade de solucionar a crise diplomática com a Colômbia, após receber em Caracas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o secretário-geral da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), Néstor Kirchner.

"Estamos muito omistas. É o que eu posso dizer", declarou Chávez. "Lula viajará em sua missão sobre a qual conversamos bastante", completou o venezuelano, em referência à visita do presidente brasileiro à Bogotá neste sábado, onde assistirá a posse do presidente eleito da Colômbia, Juan Manuel Santos.

No final de julho, Chávez anunciou a ruptura das relações com a Colômbia, depois que o governo do presidente Álvaro Uribe acusou a Venezuela de abrigar líderes das Forças Armadas da Colômbia (Farc). O líder venezuelano nega a acusação.

© AP
Kirchner, Lula e Chávez posam para fotógrafos em Caracas, na Venezuela

Lula chegou à Venezuela pouco depois das 11h locais (12h30 no horário de Brasília). Na agenda do brasileiro estava uma reunião com Chávez para tentar convencê-lo a retomar o diálogo com a Colômbia para que os dois países possam atuar juntos no controle da segurança na fronteira.

O governo brasileiro interpreta como um sinal positivo o silêncio do presidente eleito da Colômbia, Juan Manuel Santos, durante a crise diplomática que resultou na ruptura de relações entre os dois países, e aposta que a curto prazo um canal de diálogo mais pragmático e menos conflitivo poderá ser estabelecido entre ambos governos.

"Sabemos que o presidente Santos quer dialogar (com Chávez), e o Brasil espera que essa propensão ao diálogo leve a uma melhora" nas relações entre Caracas e Bogotá, afirmou o porta-voz da Presidência Marcelo Baumbach.

Monitoramento conjunto

Além do diálogo, o Brasil defende o monitoramento conjunto da fronteira entre Colômbia e Venezuela, de 2,1 mil km de extensão, para coibir a entrada e saída de grupos armados irregulares que reiteradamente são o pivô de conflitos entre Caracas e Bogotá. "A questão da fronteira é importante, porque enquanto Venezuela e Colômbia não cooperarem no controle fronteiriço, vamos viver de sobressaltos, a agenda política interna acaba predominando, sem construir uma solução efetiva para o problema", afirmou à BBC Brasil uma fonte diplomática da Presidência.

A proposta, que já havia sido anunciada pelo assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, é similar às atividades que estão sendo realizadas pela Comissão Binacional de Fronteira (Combifron) entre Colômbia e Equador.

A cooperação, que foi reativada em 2009, é integrada por altos comandos militares e promove a troca de informações e de monitoramento terrestre e aéreo das zonas fronteiriças. Para o governo venezuelano, no entanto, a discussão deve ir além do controle fronteiriço.

Um diplomata do Ministério de Relações Exteriores venezuelano disse à BBC Brasil que, "apesar" da existência dos mecanimos de cooperação da Combifron, o governo de Álvaro Uribe decidiu invadir território do Equador para bombardear um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) que fora instalado ali, ataque que resultou na morte de Raúl Reyes, o número dois na hierarquia de comando da guerrilha, em março de 2008. "É importante controlar as fronteiras, porém, o governo venezuelano acredita que apenas com o fim do conflito armado na Colômbia poderemos alcançar um ambiente de paz na região ", afirmou o diplomata.

Na semana passada, o chanceler venezuelano Nicolás Maduro viajou por sete países integrantes da Unasul para tentar articular uma proposta de internacionalização e monitoramento internacional de um virtual acordo de paz na Colômbia. A iniciativa foi vista como "intromissão em assuntos internos" por parte do governo de Álvaro Uribe, que reiterou a via militar como saída para acabar com a guerra colombiana. A crise entre Caracas e Bogotá voltará a ser discutida em uma reunião de Cúpula de Presidentes da Unasul, ainda sem data determinada.

Com AFP e BBC

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