Após renúncia de Musharraf, líder do Senado paquistanês assume Presidência

Igor G. Barbero Islamabad, 18 ago (EFE).

EFE |

- Os membros do Governo paquistanês discutiram hoje sua futura estratégia após a renúncia de seu adversário comum, o presidente Pervez Musharraf, cargo que foi ocupado de forma interina pelo chefe do Senado, Mohammedmian Soomro.

Soomro assumiu a Presidência horas depois da renúncia de Musharraf, que abandonou rapidamente o escritório presidencial, após receber algumas visitas de cortesia, como a do chefe do Exército, Ashfaq Pervez Kiyani.

O general reformado preferiu evitar a impugnação parlamentar com a qual era ameaçado pelas forças governamentais esta semana, apesar de qualificar as acusações contra ele como "falsas" e impossíveis de se provar.

Musharraf renunciou quase nove anos após assumir o poder com um golpe de Estado pacífico e disse que sua atitude visa o "bem da nação" e evitar a instabilidade do país.

Em círculos políticos e diplomáticos de Islamabad, não há dúvidas de que a renúncia do presidente foi pactuada com a principal formação do Governo, o Partido Popular do Paquistão (PPP), da ex-líder Benazir Bhutto.

O líder do PPP, Asif Zardari, se reuniu em Islamabad com seu aliado Nawaz Sharif, da Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz (PML-N), e com outros dois membros minoritários do Governo para comemorar o "fim da ditadura e o triunfo da democracia" no Paquistão, segundo o comunicado oficial.

Para os membros governamentais, a alta registrada hoje na bolsa e "a alegria nas ruas do país" após a renúncia do presidente "provam que o povo do Paquistão percebia a ditadura do general reformado Musharraf como um empecilho".

A reunião não produziu mais resultado que o anúncio de novas negociações amanhã "para discutir questões pós-renúncia e o fortalecimento da democracia" paquistanesa.

Antes do encontro, o partido de Sharif se mostrou só "parcialmente contente" com a saída de Musharraf e pediu que ele fosse julgado.

"Musharraf deveria ser julgado por todos seus delitos para dar exemplo ao país", disse à Agência Efe o porta-voz da PML-N, Siddiq-ul-Farooq, que não disfarçou sua suspeita perante um possível pacto com o presidente ao mencionar que o partido "não foi consultado sobre sua possível saída segura do poder".

"Houve um trato para facilitar uma saída segura", disse à Efe o diretor do jornal "The News", Salim Bokhari, para quem a renúncia de Musharraf era "a melhor opção para o país".

Bokhari advertiu que a renúncia do presidente "não é a solução, mas só um passo" para sair da crise enfrentada pelo país, e que porá a toda prova o consenso entre Zardari e Sharif.

"Estavam unidos contra Musharraf, agora já não compartilham nada.

Em breve começarão as divergências sérias", alertou a emissora "Dawn".

Uma enquete feita pela rede revelou que 70% dos entrevistados eram contrários à impugnação presidencial e considerou "complicado" que Musharraf seja julgado, como pretende Sharif, pois "o Exército nunca o tolerará".

O acordo do último dia 7 contra Musharraf custou meses de negociações entre o PPP e PML-N.

Agora, os dois vão pactuar um candidato a presidente - que será eleito em votação parlamentar em um prazo de um a dois meses - e cumprir o resto de seus acordos, como a restituição dos juízes do Supremo, expulsos por Musharraf em 2007.

O porta-voz de Sharif lembrou que essa é uma condição para que a PML-N permaneça no Governo.

O presidente do Colégio de Advogados do Supremo, Aitzaz Ahsan, convocou novos protestos, caso os juízes não sejam restituídos no prazo de três dias, e exigiu que Musharraf seja julgado, sem que possa fugir ao exílio.

Em seu discurso de renúncia, Musharraf não mencionou o exílio, o que fontes consultadas pela Efe dão como certo.

"Tudo indica que ficou acertado um exílio. Sua permanência no Paquistão seria complicada", disse à Efe uma fonte diplomática. EFE igb/ab/rr

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