Após reeleição de Morales, bolivianos vão às urnas para definir mapa regional

Cerca de 5,1 milhões de eleitores bolivianos vão às urnas no domingo para eleger 2,5 mil representantes - governadores, prefeitos, deputados estaduais e vereadores. A eleição que definirá o novo mapa político regional da Bolívia será realizada quase quatro meses após a reeleição, em dezembro, do presidente Evo Morales, com 64% dos votos.

BBC Brasil |

Esta será a primeira vez que os bolivianos votarão para governadores e para parlamentares locais - uma mudança estabelecida na nova Constituição Política do Estado, aprovada no ano passado.

Há uma grande expectativa sobre a nova definição da distribuição do governo e da oposição nos nove departamentos (Estados) do país, já que cinco deles simbolizaram forte oposição a Morales, concentrados, principalmente, na região chamada "Meia Lua" - Santa Cruz, Tarija, Beni, Pando e Chuquisaca.

Na eleição presidencial, Morales venceu também em grande parte desta região, antes marcadamente opositora.

Pesquisas de opinião dos institutos Equipos Mori e Captura Consulting SRL indicaram que o Movimento ao Socialismo (MAS), legenda do presidente, deverá vencer neste domingo em quatro departamentos onde já governa - La Paz, Cochabamba, Oruro e Potosí.

Mas os institutos sugerem ainda que pode haver empate técnico em Tarija, Chuquisaca e Pando, e a possível vitória da oposição em Santa Cruz e Beni.

Nesta semana, setores do governo sinalizaram a possibilidade de que a oposição seja derrotada em Santa Cruz, fronteira com o Brasil e que costuma capitanear a oposição a Morales.

Maioria

O analista político José Luis Galvez, da Equipos Mori, disse à BBC Brasil, contudo, que as pesquisas de intenção de voto sugerem que o opositor Ruben Costas não disputaria o segundo turno.

"Mas mesmo vencendo, até em Santa Cruz, a oposição não terá o poder que teve em 2006, 2007 e 2008. Evo Morales agora tem a maioria na Assembleia Plurianual (Congresso Nacional), o que não tinha antes", disse.

O analista destacou ainda que a tendência é de que o governo tenha a maioria das cadeiras na Câmaras dos Vereadores e na Assembleias Legislativas, ampliando o "controle" do governo sobre a oposição regional, o que antes não existia.

Para o especialista, Evo Morales é hoje "muito mais poderoso" do que quando assumiu a Presidência, em 2006, e a oposição estaria mais "fragilizada" e "com medo" de medidas do governo.

Galvez cita como exemplo a lei contra a corrupção, batizada de "lei guilhotina", sancionada na semana passada e que poderia levar para a cadeia ex-presidentes acusados de corrupção.

"Esta lei é para aniquilar o resto da oposição", teriam dito os ex-presidente Jorge Quiroga, Eduardo Rodríguez e Carlos Mesa, segundo o jornal "La Prensa", de La Paz.

O vice-presidente do país, Alvaro García Linera, lamentou que a lei não tenha sido aprovada antes.

"Esta lei demorou quase quatro anos para ser aprovada, por resistência da oposição. Agora, esta lei guilhotina será aplicada contra aqueles que tocarem em um centavo do Estado", disse Linera.

Campanha

No encerramento da campanha eleitoral, nesta semana, na cidade de El Alto, no departamento de La Paz, o presidente disse que espera contar com os votos necessários para que o governo tenha maioria "de uma ponta a outra da Bolívia".

"Precisamos de prefeitos e governadores para trabalhar cinco anos. Imaginem cinco anos de brigas com um governador da direita. Em Santa Cruz, Ruben Costas dizia: 'Evo, seu macaco'. E como confiar e trabalhar por este departamento. Não se pode. Sem confiança, é difícil".

As declarações de Evo Morales provocaram críticas da oposição. Oscar Ureda, porta-voz de Ruben Costas, disse que o líder boliviano "não está preocupado em governar para todo o país".

    Leia tudo sobre: morales

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG