Bogotá, 3 jul (EFE).- Muito emocionada, Ingrid Betancourt se reecontrou hoje em Bogotá com seus filhos, Melanie e Lorenzo Delloye, a quem não via há sete anos, e voltará com eles para a França, onde deve se reunir com o presidente Nicolas Sarkozy.

Betancourt, três americanos e 11 militares e policiais seqüestrados pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) foram resgatados ontem em uma operação do Exército colombiano que, após se infiltrar na guerrilha, conseguiu possivelmente o maior êxito do Governo na luta contra o grupo.

Uma vez conhecida a notícia da libertação de um cativeiro de mais de seis anos, a família de Betancourt anunciou sua viagem a Bogotá.

Pouco depois das 13h de Brasília, um avião francês aterrissou em Bogotá, onde Betancourt, junto a sua mãe, Yolanda Pulecio, esperava para abraçar seus filhos.

Também chegaram ao local sua irmã Astrid, seu ex-marido e pai de seus filhos, Fabrice Delloye, e o ministro de Relações Exteriores francês, Bernard Kouchner, que agradeceu ao Governo da Colômbia pelo resgate e afirmou que a família da ex-candidata presidencial colombiana ajudará a libertar os que continuam sob poder das Farc.

"Quero agradecer ao presidente (colombiano, Álvaro) Uribe, e quero agradecer ao povo colombiano e a todos os que participaram da luta pela libertação de Ingrid e de todos os presos", disse Kouchner após abraçar Ingrid.

Betancourt, que reiterou seu agradecimento à França pela mobilização e os esforços feitos para que fosse libertada, manifestou o desejo de ser enterrada nesse país quando morrer.

A ex-candidata presidencial viajará esta noite com seus filhos e o resto da delegação francesa que chegou hoje a Bogotá, para se reunir amanhã em Paris com Sarkozy.

O chanceler francês, que se encontrou hoje com Uribe, afirmou que "não aceita" tirar da lista de organizações terroristas um grupo que usa métodos como o seqüestro de pessoas inocentes, e pediu às Farc que libertem os demais reféns mantidos em cativeiro.

O ministro francês acrescentou, no entanto, que "não podemos aceitar que se seqüestrem homens e mulheres e os mantenham em condições espantosas durante anos e anos".

Kouchner afirmou em entrevista coletiva na Casa de Nariño, sede do Executivo, que decidiu visitar a Colômbia para parabenizar Uribe em nome do presidente Sarkozy e de todo o povo francês, e se colocar à "a disposição da Colômbia para todos os demais seqüestrados que estejam ainda na selva".

Além disso, disse às Farc que devem escutar o chamado da França e de todos os homens e mulheres livres do mundo de "que não se pode manter reféns".

As Farc mantêm presas 25 pessoas, que a guerrilha pretende trocar por rebeldes presos. Entretanto, o Governo calcula que sejam uns 700 os seqüestrados.

Kouchner afirmou ainda que, em sua reunião com Uribe, escutou "com muito interesse" os detalhes da libertação de Betancourt e outros 14 reféns, e qualificou a operação como "magnífica, porque não houve uma só gota de sangue que se tenha derramado".

Ele se declarou disposto a apoiar na Europa uma manifestação convocada pelos recém libertados, que Betancourt liderará no próximo dia 20 de julho, dia da Independência da Colômbia, para exigir a libertação incondicional dos demais seqüestrados pelas Farc. EFE ei/rb/plc

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