Após receber Nobel, Sirleaf pode ter segundo mandato na Libéria

Ellen Johnson foi a primeira mulher a alcançar a chefia de Estado no continente africano e é conhecida como a 'Dama de Ferro'

EFE |

AFP
A presidente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, acena para partidários em Monrovia após anúncio do prêmio (07/10)
A atual chefe de Estado da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, tem ao alcance das mãos seu segundo mandato após obter o Prêmio Nobel da Paz 2011 dias antes das eleições presidenciais e legislativas de seu país nesta terça-feira.

Embora concorra pela presidência da Libéria juntamente com outros 16 candidatos na segunda eleição democrática desde o fim da guerra civil do país, em 2003, o prêmio deu um bom empurrão à popularidade de Ellen Johnson, em queda nos últimos anos.

Ellen Johnson, que nasceu em Monróvia em 1938 e estudou Ciências Econômicas na Universidade de Harvard, foi a primeira mulher a alcançar a chefia de Estado no continente africano e é conhecida entre seus compatriotas como "a Dama de Ferro".

A chefe de Estado é descendente de escravos libero-americanos, uma elite que dominou a política na Libéria desde 1878, quando se tornou independente dos EUA, até 1980, quando o presidente William Tolbert foi derrubado em um violento golpe de Estado liderado pelo sargento das Forças Armadas Samuel Doe.

Doe impôs um estrito regime que não dava abertura a uma oposição política, por isso Ellen Johnson, que foi ministra de Finanças durante dois anos no governo anterior, foi presa várias vezes.

A atual presidente da Libéria foi uma das fundadoras do Partido da Ação da Libéria (LAP, na sigla em inglês), cujo líder, Jackson Doe, foi supostamente assassinado em 1990 pelo então chefe dos rebeldes, Charles Taylor.

Ellen Johnson concorreu pela primeira vez nas eleições de 1997, nas quais obteve 10% dos votos e que foram vencidas por Taylor, que mais tarde a acusou de traição, o que motivou a fuga da "Dama de Ferro" da Libéria.

No entanto, Ellen Johnson retornou e se apresentou como candidata à disputa de 2005, nos quais seu maior rival era George Weah, ex-jogador de futebol. Após um acirrado segundo turno, ela foi eleita no final de 2005 e nomeada chefe de Estado em 2006, a primeira mulher a alcançar esse cargo na história da África.

A presidente da Libéria, mãe divorciada com quatro filhos e seis netos, recebeu grandes críticas após anunciar sua candidatura à votação deste ano antes do início da campanha pela Comissão Eleitoral, o que, segundo os membros da oposição, violaria a Constituição. "Pretendo apresentar-me como candidata às eleições presidenciais de 2011 e serei uma força formidável", afirmou Ellen Johnson, para quem o anúncio de sua candidatura com o Partido da Unidade (UP) antes do início da campanha eleitoral não foi contra a lei.

Entretanto, Charles Brumskine, do opositor Partido da Liberdade (PL), afirmou que "o momento do anúncio não foi correto" e, com ele, "pretende-se estar em uma posição vantajosa" em relação ao resto dos candidatos.

O principal partido da oposição que Ellen Johnson enfrenta é o Congresso por Mudanças Democráticas (CDC), a segunda maior formação do país que foi fundada por Weah, embora atualmente seja liderada por Winston Tubman. Sobrinho do ex-presidente William V.S. Tubman, Winston Tubman foi ministro da Justiça nos anos 80 e representante especial da Organização das Nações Unidas na Somália.

Também aspira ao cargo Brumskine, do PL, economista e especialista em legislação da Libéria, que obteve o terceiro lugar na disputa pela presidência em 2005.

Ellen Johnson não será a única mulher a concorrer nas próximas eleições presidenciais, já que também são candidatas Gladys Beyan, do Partido Democrático de Base da Libéria e Manjergie Ndebe, do Partido para a Reconstrução da Libéria.

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