Após queda de radiação, trabalhadores voltam à usina no Japão

Funcionários tinham sido retirados de Fukushima após incêndio no reator 4 elevar radioatividade e agravar crise nuclear

iG São Paulo |

Funcionários da usina nuclear de Fukushima, afetada por explosões após o tremor de sexta-feira no Japão, voltaram ao local para tentar esfriar e estabilizar os reatores nesta quarta-feira. Horas antes, o governo japonês tinha obrigado os técnicos a suspender as tentativas de estabilizar os reatores por causa de um pico nos níveis de radiação na usina nuclear de Fukushima.

Segundo o porta-voz do governo, Yukio Edano, os níveis de radiação caíram. Mais cedo, a usina, localizada no nordeste do Japão, começou a expelir uma fumaça branca, intensificando os temores de um acidente radioativo.

A fumaça teve início poucas horas após a ocorrência de um novo incêndio no reator 4 da instalação. Os contêineres que abrigam os reatores 3 e 2 teriam sofrido rupturas e também estariam liberando material radioativo.

A Tokyo Electric Power Co (Tepco), que opera a usina, informou que a fumaça poderia ser um vapor produzido pelo superaquecimento de um tanque de combustível. A usina já havia sofrido outras quatro explosões, que provocaram o vazamento de elementos radioativos.

Os técnicos estavam trabalhando em Fukushima, jogando água do mar nos reatores para tentar estabilizá-los e evitar um superaquecimento. A alta nos níveis de radiação forçou autoridades a cancelar um plano pouco usual: usar helicópteros militares para jogar água sobre o reator 4, na tentativa de resfriá-lo.

Os Estados Unidos também enviaram dois caminhões de bombeiro para ajudar a conter os incêndios na usina de Fukushima. Os veículos estão sendo operados por japoneses.

De acordo com a agência Associated Press, a Tepco aumentou o número de trabalhadores na usina de 50 para 180. No entanto, não está claro em que momento este reforço aconteceu, já que na terça-feira cerca de 750 funcionários tinham sido retirados do local.

Nesta quarta-feira, uma rara aparição na TV do imperador do Japão, Akihito, deu a dimensão da crise nuclear no Japão. "O acidente na usina me causa profunda preocupação e espero que os esforços dos funcionários possam evitar que a situação piore", afirmou, em sua primeira manifestação pública depois do desastre.

"Do fundo do meu coração, espero que as pessoas se deem as mãos e se mostrem compaixão umas com as outras para superar esses tempos difíceis", afirmou o monarca. "O terremoto foi sem precedentes e sinto muito pelas pessoas que sofreram com esse desastre terrível."

O sistema de resfriamento de Fukushima foi danificado durante o terremoto de 9 graus de magnitude e o tsunami que devastaram a costa leste do país na sexta-feira. Funcionários do governo aconselharam moradores num raio de 20 a 30 km da usina a deixar a área ou permanecer abrigados.

Em Tóquio, a mais de 200 quilômetros de Fukushima, o nível de radiação sofreram uma pequena elevação, suficiente para amedontrar os moradores, que começam a estocar mantimentos.

AIEA

Nesta terça-feira, a Agência Internacional de Energia Atômica da ONU (AIEA) anunciou estar monitorando os níveis de radiação nas proximidades da usina e que a quantidade de radiação nas regiões próximas vinha diminuindo significativamente desde a madrugada.

A AIEA disse que outras usinas nucleares japonesas, como Onagawa, Tokai e Fukushima Daini estão "estáveis e seguras", mas que a situação em Daiichi, onde estão os reatores danificados, ainda era preocupante. Uma zona de exclusão aérea foi estabelecida sobre o complexo nuclear.

De acordo com a AIEA, 150 pessoas na região da usina foram examinadas para detectar possíveis contaminações por radiação. Já foram tomadas medidas para a descontaminação de 23 pessoas. A agência diz que o total de radiação a que uma pessoa normalmente se expõe durante um ano, contando todas as fontes normais, é de cerca de 2,4 milisieverts (unidade de medida que avalia os efeitos da radiação absorvida pelo organismo).

Pessoas que vivem nas proximidades de instalações nucleares estão expostas a uma dose de 1 milisievert adicional ao ano, segundo a agência. Dentro da usina de Fukushima Daiichi, uma medição chegou a detectar 400 milisieverts de radiação no ar, entre os reatores número 3 e número 4.

Nos arredores da instalação, a quantidade de radiação liberada no ar chegou a atingir 11,9 milisieverts, mas caiu para 0,6 milisieverts seis horas depois. A Organização Meteorológica Mundial disse que ventos começam a dispersar o material radioativo do ar para o oceano. No entanto, há previsões de que a direção das correntes de ar mudem na quarta-feira.

Com BBC

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