Após protestos, García eleva gastos sociais no Peru

Por Patricia Velez e Teresa Cespedes LIMA (Reuters) - O presidente peruano, Alan García, prometeu nesta terça-feira levar adiante sua agenda pró-mercado, mas disse que elevará os gastos sociais para conter uma onda de protestos que o levou a realizar uma reforma ministerial.

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Ele também pediu aos peruanos decepcionados com a desaceleração econômica que rejeitem a tendência esquerdista em vigor em outros países latino-americanos.

Em um discurso no dia da independência, García afirmou que o livre comércio e os investimentos externos ajudariam a reduzir a pobreza dos atuais 36 por cento da população para 30 por cento até o fim do seu mandato, em 2011.

García prometeu ampliar a saúde pública a todos os peruanos e melhorar a educação pública.

"Tenho dois grandes objetivos para este ano: defender o regime democrático e poupar o Peru da crise global, pelo fortalecimento dos programas sociais", afirmou.

Em junho, 34 pessoas morreram em confrontos entre policiais e manifestantes indígenas contrários a leis que abririam suas terras na Amazônia a empresas estrangeiras de mineração e petróleo.

Na pior crise da sua presidência, García trocou de primeiro-ministro e viu sua aprovação cair a 21 por cento. O presidente diz que seu país corre contra o tempo para acompanhar a globalização e elevar o padrão de vida da população.

"É meu dever efetuar a mudança o mais rápido possível. Se às vezes isso parece intolerante, duro ou distante, peço desculpas, mas estamos em uma batalha e precisamos vencê-la."

García disse que a melhor forma de evitar protestos sociais é com investimentos públicos em infraestrutura, e ameaçou punir manifestantes que montam bloqueios rodoviários para exigir escolas e melhores salários.

Críticos dizem que o despreparado funcionalismo público peruano emperra as reformas. O projeto de saúde pública, sancionado em abril, até agora só foi implementado em 3 dos 25 Departamentos do país.

"Não resta muito tempo para começar novas reformas. É mais uma questão de tentar manter a cabeça acima da água até 2011", disse o analista político Augusto Alvarez- Rodrich.

Para o analista, o novo gabinete tem um prazo de validade escasso, e será novamente substituído quando os protestos sociais crescerem, no período eleitoral.

O partido governista Apra não tem um candidato forte para a presidência em 2011, mas García, que não pode disputar a reeleição, promete se empenhar em evitar uma vitória da esquerda.

A desaceleração do crescimento econômico - de 10 por cento em 2008 para possíveis 3 por cento neste ano - deve ser aproveitada pela oposição. O nacionalista Ollanta Humala, aliado do presidente venezuelano, Hugo Chávez, já assustou os mercados financeiros ao quase vencer a eleição de 2006, e deve concorrer novamente.

Alguns analistas dizem que García deve acabar apoiando o prefeito de Lima, Luis Castañeda, ou a deputada Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori.

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