Após protesto da China, EUA defendem venda de armas a Taiwan

O Departamento de Estado americano defendeu, neste sábado, uma proposta de vendas de armas para Taiwan, depois de o governo chinês ter anunciado diversas medidas retaliatórias contra os EUA. O negócio, da ordem de US$ 6 bilhões, incluiria helicópteros e mísseis de defesa, e foi comunicado pelo Pentágono ao Congresso americano na sexta-feira.

BBC Brasil |

"Essas vendas contribuem para a manutenção da segurança e da estabilidade em todo o território de Taiwan", disse uma porta-voz do Departamento de Estado, Laura Tischler.

Mas, nas primeiras horas deste sábado, a China convocou o embaixador americano em Pequim, Jon Huntsman, para expressar sua insatisfação sobre planos dos Estados Unidos de seguir com a transação.

O vice-ministro do Exterior da China, He Yafei, alertou Huntsman que a venda terá "repercussões que nenhum dos dois países quer ver acontecerem".

"O anúncio dos Estados Unidos do plano de vender armas a Taiwan terá um grave impacto negativo em muitas áreas importantes de cooperação e troca entre os dois países", disse He em um comunicado publicado no site do Ministério das Relações Exteriores.

Entre as medidas de retaliação anunciadas por Pequim, está a suspensão do intercâmbio militar com os EUA, a revisão da cooperação entre os dois países em temas considerados importantes, e a imposição de sanções contra empresas americanas que venderem armas a Taiwan.

Ameaças
Segundo uma nota divulgada pela Agência de Cooperação de Defesa e Segurança americana, o governo dos Estados Unidos pretende vender 60 helicópteros Black Hawk, 14 mísseis Patriot e equipamentos de controle e comunicação para a frota taiwanesa de aeronaves F-16.

A venda faz parte de um pacote que havia sido prometido pelo governo do ex-presidente George W. Bush.

A notificação da intenção de venda ao Congresso é exigida por lei, mas não significa que o acordo tenha sido fechado.

Os congressistas têm agora 30 dias para analisar e comentar a proposta. Caso não haja objeções, a negociação pode ser concluída.

Segundo o Pentágono, a proposta de venda iria "apoiar os esforços de Taiwan de modernizar as Forças Armadas e aprimorar a capacidade de defesa".

Taiwan e China mantêm governos separados e independentes desde o fim de uma guerra civil, em 1949. Mas o governo chinês enxerga o vizinho como uma província rebelde.

A China tem centenas de mísseis apontados para Taiwan e já ameaçou usar a força para trazer a ilha de volta a seu controle caso ela tente caminhar para uma independência formal.

As relações entre China e Estados Unidos já estão sensíveis por causa de recentes disputas comerciais e críticas americanas à censura à internet no país asiático.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG