Após prisões, Hamas pede a Fatah que rompa contatos com Israel

Grupo diz que 'nenhum palestino deve dar a mão a seu inimigo' depois que dois parlamentares foram detidos pelo Exército de Israel

iG São Paulo |

O grupo islâmico Hamas, que governa a Faixa de Gaza, pediu na sexta-feira ao presidente palestino Mahmud Abbas, da facção rival Fatah, que abandone as negociações de paz preliminares com Israel, em represália à prisão do presidente do Conselho Legislativo Palestino , Aziz Duwaik, e depois de outro de seus membros.

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Reuters
Presidente do Conselho Legislativo Palestino, Aziz Duwaik, faz pronunciamento em coletiva na Cisjordânia em junho de 2009

"A resposta para a prisão do doutor Aziz Duwaik deve ser colocar fim às negociações absurdas e fracassadas (com Israel). Nenhum palestino deve dar a mão a seu inimigo ou a seu ocupante, que prende os símbolos da legitimidade e dos deputados", declarou o chefe do governo Hamas em Gaza, Ismail Haniyeh.

Duwaik, membro do Hamas, foi detido na quinta-feira em um posto de controle do Exército israelense em Jabaa, entre Ramallah e Jerusalém, quando se dirigia a Hebron, no sul da cisjordânia. Os soldados algemaram e vendaram os olhos do parlamentar, que foi conduzido posteriormente a um lugar desconhecido, segundo a agência palestina Maan. "A reconciliação e a coordenação com o inimigo em matéria de segurança são incompatíveis", disse Haniyeh.

O Hamas acrescentou que o objetivo permanente de Israel é perturbar o atual processo de reaproximação entre o Hamas e o Fatah , que travaram uma breve guerra civil em 2007.

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O gabinete de Abbas, cujo governo controla apenas a Cisjordânia, não se manifestou sobre as declarações do Hamas. Representantes de Israel e de Abbas têm mantido reuniões em Amã , na Jordânia, para discutir a possível retomada do processo de paz, abandonado há 15 meses.

O Exército israelense confirmou nesta sexta-feira a prisão de Duwaik e a do parlamentar Khaled Tafish, que foi detido em Belém. Os soldados revistaram a casa de Tafish, membro do Bloco Reforma e Mudança, uma corrente do Hamas, e confiscaram seu computador e telefone celular.

Tafish, eleito em 2006, tinha sido preso várias vezes anteriormente e foi posto em liberdade pela última vez em março de 2010, após permanecer um ano sob detenção administrativa.

O porta-voz militar israelense afirmou que Tafish e Duwaik foram detidos por "suspeitas de envolvimento com grupos terrorista".

Um total de 23 dos 74 deputados do Hamas no Conselho Legislativo Palestino, que conta com 132 membros, se encontram atualmente detidos nas prisões israelenses, segundo a associação de direitos dos presos Addameer.

O Parlamento palestino deixou de funcionar como tal desde que o Hamas tomou o controle da Faixa de Gaza em 2007 e expulsou os dirigentes do Fatah.

Duwaik tinha sido preso junto a outros dirigentes do Hamas em 2006 depois que milicianos armados palestinos sequestraram o soldado israelense Gilad Shalit nas proximidades da Faixa de Gaza. Em 2009, o presidente do Conselho Legislativo foi posto novamente em liberdade, e, dois anos depois, Shalit foi trocado por mais de mil presos palestinos em outubro.

Israel, EUA e União Europeia consideram o Hamas um grupo terrorista. As duas facções palestinas decidiram no ano passado que iriam se reconciliar e convocar eleições, mas nada disso aconteceu por enquanto.

Com EFE e Reuters

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