Assunção, 19 abr (EFE).- O general reformado Lino Oviedo pretende amanhã cumprir sua promessa de voltar a governar o Paraguai uma década depois de ter sido afastado da luta pela Presidência por dirigentes do Partido Colorado, que está no poder há mais de 60 anos.

Nascido em 1943, Oviedo foi acusado, entre outras coisas, de ter acumulado fortuna por ocasião da ditadura, de cuja queda foi protagonista como braço direito do líder desse golpe de Estado (1989), Andrés Rodríguez - que se tornaria presidente pouco depois.

No entanto, durante a atual campanha eleitoral Oviedo insistiu em dizer que sua renda tem como fonte sua pensão militar e a propriedade de um posto de gasolina e de um sítio em Caacupe, 54 quilômetros ao leste da capital, assim como seus seis filhos e sua esposa, Raquel Marín, de origem argentina.

O ex-militar, formado na Alemanha, ganhou notoriedade quando em 3 de fevereiro de 1989, na condição de coronel de cavalaria, ameaçou, com pistola em mãos, como diz o próprio, o ditador Alfredo Stroessner para que este se rendesse.

Sua meteórica carreira militar e política atingiu o auge em agosto de 1993, quando foi nomeado chefe do Exército, cargo do qual foi afastado em 22 de abril de 1996 após ter tratado de forçar a renúncia do presidente Juan Carlos Wasmosy.

Além disso, à frente de uma corrente governista, Oviedo, com seu aliado Raúl Cubas como candidato à Vice-Presidência, derrotou Luis María Argaña nas primárias "coloradas" para escolher o aspirante à chefia de Estado no pleito de 1998.

A candidatura de Oviedo, no entanto, foi impugnada devido a sua condenação no tribunal militar que julgou o levante de 1996.

O Partido Colorado, por meio da aliança Cubas-Argaña, acabou vencendo, em 15 de agosto de 1998, as eleições com mais de 50% dos votos.

Três dias após assumir a Presidência, o novo chefe de Estado comutou a pena de Oviedo, o que causou uma grave divisão na base governista.

A tensão política acabou em sangue. Argaña foi assassinado em 23 de março de 1999, com Oviedo sendo apontado como mandante do crime.

Sete jovens morreram na revolta popular que sucedeu o atentado.

A crise levou à renúncia de Cubas, em 28 de março de 1999, e a seu posterior exílio no Brasil.

Também fez com que Oviedo viajasse à Argentina a partir de uma unidade militar onde se encontrava recluso, poucas horas antes da renúncia de Cubas.

Em dezembro de 1999 entrou na clandestinidade, até que em 11 de junho de 2000, foi detido na cidade paranaense de Foz do Iguaçu com documentação falsa.

Ficou recluso 18 meses em Brasília. Em 17 de dezembro de 2001, o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou pedido de extradição feito pelas autoridades paraguaias.

Ao desembarcar em seu país para ficar detido em uma prisão militar, afirmou: "Ficarei livre e governarei o Paraguai". Agora, tem chance de cumprir a promessa, à frente da União Nacional de Cidadãos Éticos (Unace), terceira maior legenda da oposição.

Após várias derrotas nos tribunais e de ter sido condenado a 10 anos por tentativa de golpe de Estado, a sorte de Oviedo começou a mudar há um ano.

A rapidez na resolução de seus casos com a Justiça foi interpretada como um plano do presidente do país, Nicanor Duarte, para dividir a oposição, que se unia em torno do ex-bispo Fernando Lugo. EFE lb/fr/mh

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