Tropas leais a Ouattara, presidente eleito reconhecido pela comunidade internacional, patrulham maior cidade da Costa do Marfim

Preso depois de um impasse de meses, Laurent Gbagbo, líder marfinense que se recusava a deixar o poder, foi retirado da principal cidade da Costa do Marfim, Abdijan, um dia depois de ser detido juntamente com a mulher, Simone.

De acordo com um porta-voz da Organização das Nações Unidas, Gbagbo foi levado de Abdijan e tropas da ONU estão com ele para garantir sua segurança.

Soldados leais a Ouattara checam documentos de marfinenses que deixam Abdijan, maior cidade da Costa do Marfim
AP
Soldados leais a Ouattara checam documentos de marfinenses que deixam Abdijan, maior cidade da Costa do Marfim
Gbagbo foi preso depois de semanas de confrontos entre suas forças e as rivais, leais a Alassane Ouattara, presidente eleito reconhecido pela comunidade internacional. Nesta terça-feira, Ouattara prometeu que Gabgbo não será machucado. Apesar do chamado para dar fim aos combates, soldados e milicianos leais ao ex-líder se recusam a entregar as armas.

Assim que foram presos, Gbagbo e Simone foram levados ao 'quartel general' de Ouattara, o hotel Golf, em Abdijan. Fontes da ONU disseram, no entato, que integrantes das tropas de paz da ONU ajudaram a levar Gbagbo “para outro lugar na Costa do Marfim onde ele está seguro”.

A França nega ter participado da operação que permitiu a detenção de Gbagbo. Segundo o governo, os soldados franceses se limitaram a destruir o armamento pesado das forças de Gbagbo e a proteger a população civil, respeitando a determinação do Conselho de Segurança da ONU.

Rotina

Em grave crise política desde o impasse nas eleições presidenciais de novembro do ano passado, a Costa do Marfim tenta voltar à normalidade após a queda de Gbagbo e o apelo à reconciliação feito por Ouattara.

As tropas de Ouattara patrulharam nesta terça-feira vários distritos de Abidjan, capital econômica marfinense que amanheceu pela primeira vez desde 2000 sem Gbagbo no poder.

Moradores de Cocody, bairro onde está localizada a residência presidencial na qual Gbagbo ficou entrincheirado por vários dias, disseram à agência EFE que a situação em Abidjan estava aparentemente tranquila.

Enquanto isso, a comunidade internacional começa a mostrar seu apoio a Ouattara em forma de ajuda à reconstrução de um país que nos últimos quatro meses viveu um confronto entre as facções de dois presidentes autoproclamados. Paris prometeu uma ajuda de 400 milhões de euros para financiar as necessidades mais urgentes e contribuir para a reativação de sua economia, começando pelo retorno à normalidade dos serviços públicos.

Além disso, a França assegurou que pedirá à União Europeia que suspenda todas as sanções impostas à Costa do Marfim durante os últimos meses para forçar a saída de Gbagbo. A Comissão Europeia, por sua vez, anunciou uma ajuda de 180 milhões de euros. Juntamente com o auxílio financeiro, Ouattara recebeu pedidos em prol de uma reconciliação em seu país, um dos quais foi feito pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Em uma conversa por telefone com o presidente eleito, pediu que ele evite represálias contra os seguidores do ex-líder.

Investigadores do setor das Nações Unidas para os Direitos Humanos que trabalham no país africano contabilizaram 536 corpos de pessoas assassinadas nos massacres cometidos no oeste da Costa do Marfim desde o fim de março. No que diz respeito à situação humanitária, todos os porta-vozes das agências da ONU insistiram no fato de que a saída de Gbagbo do poder não é suficiente para resolver a grave crise pela qual atravessa o país.

*Com BBC e EFE

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