Após primeiras negociações, Israel faz exigências à Síria

Por Jeffrey Heller JERUSALÉM (Reuters) - Israel fixou na quinta-feira suas condições para selar um acordo de paz com a Síria, cerrando fileiras com os Estados Unidos ao exigir que os sírios distanciem-se do Irã e parem de dar apoio às milícias palestinas e libanesas.

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Anúncios realizados na quarta-feira, de forma coordenada, por Israel e pela Síria dando conta de que haviam iniciado negociações diretas na Turquia --a primeira confirmação em oito anos desse tipo de processo entre os dois inimigos de longa data-- foram recebidos com frieza pelo governo norte-americano.

Muitos analistas afirmam que a hostilidade dos EUA em relação ao país árabe, ao Irã e à guerrilha libanesa Hezbollah (esses dois últimos aliados da Síria), torna improvável que os israelenses e os sírios selem qualquer tipo de acordo antes de o presidente norte-americano, George W. Bush, deixar seu cargo, em janeiro próximo.

Ao descrever os três dias de negociação em Istambul, o ministro turco das Relações Exteriores, Ala Babacan, disse que os dois países estavam satisfeitos com o fato de terem encontrado um 'terreno em comum'.

Segundo o chanceler, outros encontros do tipo devem ocorrer na Turquia periodicamente.

'Os sírios sabem o que desejamos e nós sabemos o que eles desejam', afirmou o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, em Jerusalém. Olmert revelou a existência dos contatos dois dias antes de enfrentar uma rodada de interrogatório no Parlamento a respeito de alegações de corrupção.

A Síria exige a devolução das colinas do Golã, um platô que fica entre Damasco e o mar da Galiléia. A região foi ocupada por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967.

O ministro sírio da Informação, Muhsin Bilal, condenou a possibilidade de o governo israelense fixar precondições.

'Essas precondições foram rejeitadas como foi rejeitada a expressão 'difíceis concessões' quando se referem ao que é de direito dos sírios', disse Bilal ao canal de TV Al Jazeera.

Olmert, que recentemente passou férias nas colinas do Golã, não disse publicamente que Israel abriria mão de toda a área.

Mas falou sobre as 'difíceis concessões' que o país teria de fazer se desejasse selar qualquer tipo de acordo de paz com a Síria.

Repetindo com outras palavras comentários vindos dos EUA, a ministra das Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni, disse que a Síria precisava 'distanciar-se completamente' de seus 'problemáticos laços' com o Irã.

Os sírios, afirmou a chanceler, precisam também parar de dar 'o apoio ao terror --ao Hezbollah, ao Hamas', grupos que mantêm laços com os iranianos.

O ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, que no cargo de primeiro-ministro, em 2000, participou de negociações com a Síria patrocinadas pelos EUA e que fracassaram devido ao futuro do Golã, disse em um discurso que os dois lados teriam de realizar 'dolorosas concessões'.

Os EUA, em sua reação inicial aos contatos entre a Síria e Israel, disseram 'não objetar' às negociações, mas repetiram sua acusação de que os sírios 'dão apoio ao terrorismo'.

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