Após pressão, pastor dos EUA cancela planos de queimar Alcorão

Pastor evangélico planejava queimar livro sagrado dos muçulmanos para marcar nono aniversário do 11 de Setembro

iG São Paulo |

O pastor cristão fundamentalista Terry Jones cancelou nesta quinta-feira seu plano de queimar exemplares do Alcorão no sábado para marcar o nono aniversário dos ataques do 11 de Setembro, que deixaram quase 3 mil mortos em Nova York, Washington e Pensilvânia em 2001. "Não temos arrependimentos", disse. "Sentimos que alcançamos nosso objetivo. Estamos muito, muito felizes com o resultado", garantiu.

AFP
Pastor Terry Jones dá coletiva em conjunto com o imã Muhammad Musri, presidente da Sociedade Islâmica da Flórida Central, em Orlando
Ao anunciar o cancelamento, Jones afirmou que planeja se reunir com o imã que prevê construir um centro islâmico a duas quadras do Marco Zero , onde ficavam as Torres Gêmeas destruídas no ataque. No entanto, detalhes do encontro do pastor com o imã Feisal Abdul Rauf, cujo projeto de mesquita em Nova York também desatou uma polêmica no país, continuam obscuros.

Apesar de Jones ter afirmado que havia tomado sua decisão após obter a promessa de que o centro islâmico seria construído em local diferente do inicialmente planejado, tal acordo não pôde ser confirmado por fontes independentes. O imã Muhammad Musrique, que participou com Jones da coletiva, disse que Rauf concordou em conversar com o pastor sobre a possibilidade de mudar a localização do centro e da mesquita.

O anúncio do pastor foi feito após uma crescente pressão contra o plano, incluindo críticas do presidente Barack Obama, de líderes religiosos e de generais americanos. Todos advertiram Jones de que a queima do Alcorão tinha o potencial de prejudicar as relações entre cristãos e muçulmanos e pôr em risco os soldados americanos no Afeganistão e Iraque.

Na manhã desta sexta-feira, Obama afirmou também que a queima do livro sagrado dos muçulmanos estimularia o recrutamento de militantes pela rede terrorista Al-Qaeda. Além disso, Obama afirmou que o plano era uma "mancha" que violava os princípios americanos de tolerância religiosa.

"Se é que (Jones) escuta isso, espero que entenda que o que está disposto a fazer contraria completamente nossos valores", acrescentou Obama em uma entrevista ao programa "Good Morning America" na rede ABC. Ele disse também que, como comandante das Forças Armadas, espera que o líder da igreja "entenda que sua ação poderia colocar em grande perigo nossos jovens no Iraque e no Afeganistão". 

Obama foi a autoridade mais importante de uma longa lista de figuras políticas e líderes religiosos a condenar o plano de Jones. Nesta semana, o chefe das tropas americanas no Afeganistão, geral David Petraeus, e o chefe do Estado-Maior Conjunto, almirante Mike Mullen, advertiram que a profanação do Alcorão poderia enfurecer aos muçulmanos no mundo todo.

Além deles, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, o secretário de Justiça, Eric Holder, a ex-governadora do Alasca Sarah Palin e o Vaticano, entre outras vozes influentes, expressaram sua oposição ao plano de Jones.

Temores de ataques

Especialistas islâmicos alertaram que a reação no mundo muçulmano poderia ser tão ruim, ou até pior, do que a reação à publicação de charges sobre Maomé em jornais dinamarqueses em 2005. As charges desataram protestos em todo o mundo muçulmano.

Previamente, o Departamento de Estado dos EUA lançou um alerta a seus cidadãos no exterior avisando sobre a possibilidade de manifestações violentas se o pastor levasse seu plano adiante. Além disso, o FBI alertou que havia possibilidade de represálias "extremistas". O departamento lembrou que alguns países, como o Afeganistão e a Indonésia, já realizam protestos, alguns deles violentos, contra os planos de Jones.

A advertência dos órgãos americanas foi feita no mesmo dia em que a organização internacional de cooperação policial Interpol lançou um alerta global a seus 188 países-membros advertindo que existia uma grande possibilidade de ocorrer atentados por causa do plano de Jones.

*Com Reuters, New York Times, AFP e EFE

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