Após pedido de adesão palestina à ONU, Israel amplia construções

Aprovação de 1,1 mil casas em Jerusalém deve aumentar tensão em meio à campanha por reconhecimento de Estado palestino

iG São Paulo |

Israel aprovou a construção de 1,1 mil casas para colonos no sudeste de Jerusalém, fora das fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias (1967), informou nesta terça-feira o Ministério do Interior israelense. O anúncio promete aumentar ainda mais a tensão no Oriente Médio, intensificada na semana passada após palestinos terem pedido o reconhecimento de seu Estado pela Organização das Nações Unidas (ONU). A decisão irritou o lado palestino e motivou críticas da ONU, dos EUA e da União Europeia.

O ministério afirmou que as casas serão construídas em Gilo, que foi tomada da Jordânia em 1967, juntamente com Jerusalém Oriente e a Cisjordânia. Mais tarde, Israel anexou Gilo à cidade de Jerusalém, passo que nunca foi reconhecido internacionalmente. O governo israelense argumenta que Gilo não pode ser considerado um assentamento por estar dentro dos limites da cidade.

Os palestinos querem Jerusalém Oriental como a capital do Estado que esperam fundar na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Israel considera toda a Jerusalém como sua capital - estatuto não reconhecido no exterior.

AP
Homem trabalha em construções em Guiló, enclave judeu em Jerusalém Oriental

Para os palestinos, o fim dos assentamentos israelenses é uma condição para a retomada de negociações de paz. Mas o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse não ter a intenção de congelar a colonização. “É um pretexto que usam para evitar negociações diretas”, afirmou o líder ao jornal Jerusalem Post, reforçando seu pedido por um diálogo sem condições prévias .

O principal negociador palestino, Saeb Erakat, criticou o anúncio de novas construções e disse que elas representam “1,1 mil ‘nãos’ à retomada de negociações”. Ele fez um apelo para que os EUA mudem de ideia e apoiem o pedido palestino de adesão à ONU – que o governo americano prometeu vetar .

O anúncio de novos assentamentos também foi criticado pela chanceler da União Europeia, Catherine Ashton, que disse “lamentar” a notícia. “Esse plano deveria ser revisto”, afirmou, acrescentando que ele “ameaça” as negociações propostas pelo Quarteto para o Oriente Médio , formado por EUA, Rússia, ONU e União Europeia.

O secretário-geral adjunto para Assuntos Políticos da ONU, Lynn Pascoe, criticou fortemente a decisão perante o Conselho de Segurança. Já os EUA se declararam profundamente decepcionados com o anúncio. "Essa decisão é contraproducente em relação aos nossos esforços para retomar as negociações diretas entre as partes", afirmou a porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Victoria Nuland.

Mais de 250 mil israelenses vivem em assentamentos judeus construídos em áreas ocupadas de Jerusalém que foram anexadas por Israel ao território municipal da cidade.

A construção em Gilo se soma a outros projetos similares que despertaram a indignação da comunidade internacional e dos palestinos, com destaque para os mais de mil imóveis em Ramat Shlomo, na parte norte, anunciados durante uma visita em 2010 do vice-presidente americano, Joe Biden.

Demolição de casas palestinas

Também nesta terça-feira, três relatores independentes da ONU pediram que Israel pare de demolir casas palestinas na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental.

Em comunicado, os relatores denunciaram que neste ano houve "aumento dramático" de demolições.

Eles pediram também às autoridades israelenses que impeçam agressões de colonos israelenses contra os palestinos e suas propriedades.

"O impacto e a natureza discriminatória destas demolições e despejos de inquilinos é completamente inaceitável. Estas ações das autoridades israelenses violam os direitos humanos e a lei humanitária e devem parar imediatamente", afirmaram.

O comunicado foi assinado pela relatora especial das Nações Unidas sobre o direito a uma casa adequada, a brasileira Raquel Rolnik; a relatora especial sobre o direito à água potável e os serviços sanitários, Catarina de Albuquerque, e o relator especial sobre o direito à alimentação, Olivier De Schutter.

Os relatores explicaram que "em alguns locais há quase queimas semanais de terras, árvores e colheitas de moradores palestinos por parte dos colonos israelenses", que em sua opinião atuam assim porque as autoridades de Israel não fazem nada para puni-los.

"As autoridades israelenses devem investigar e interromper os crimes cometidos pelos colonos de uma maneira independente, imparcial, efetiva e pontual", disseram.

Dados dos relatores da ONU indicam que desde janeiro "ao menos 387 imóveis, incluindo 140 residências, e 79 estabelecimentos agrícolas foram demolidos, o que causou a remoção forçada de 755 pessoas e prejuízos a outras 1,5 mil", informou a mídia local.

"O tratamento preferencial dado aos colonos israelenses é uma discriminação explícita", manifestaram os especialistas, afirmando que enquanto os assentamentos israelenses se estenderem para Jerusalém Oriental e o restante da Cisjordânia, as solicitações palestinas de permissões serão rechaçadas e suas casas e propriedades destruídas.

"A situação está claramente mais grave e o resultado é um aumento das violações dos direitos humanos", afirmou Raquel, que denunciou que os palestinos expulsos viviam há décadas nessa região e nem sequer receberam uma indenização por parte do Estado israelense por terem se deslocado para outra área. "Eles são forçados a pagar pela demolição e a pagar multas pelas construções 'ilegais'", acrescentou.

Catarina de Albuquerque ressaltou a destruição de cisternas e poços palestinos, o que futuramente fará com que "esta gente tenha de pagar preços exorbitantes pela água potável".

Olivier De Schutter informou que isto teve grande impacto na sobrevivência dos palestinos e dos beduínos, que "também viram suas propriedades destruídas".

Com AFP, AP e EFE

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