Após o Iraque, presidente Bush faz visita surpresa ao Afeganistão

Após uma visita de despedida ao Iraque, o presidente George W. Bush viajou nesta segunda-feira ao Afeganistão, onde confirmou o apoio americano ao presidente Hamid Karzaï e avisou que a luta vai ser longa.

AFP |

"Quero estar no Afeganistão para dizer 'obrigado' ao presidente Karzaï, para dizer ao povo afegão que os EUA estão atrás deles e continuarão assim", declarou Bush a bordo do avião presidencial.

"O povo afegão e eu estamos muito orgulhosos e honrados", declarou Karzaï recebendo Bush em Cabul, destacando que fazia muito, muito tempo que vinha convidando o presidente americano para visitar o país.

O Air Force One, o avião do presidente americano, pousou na madrugada desta segunda na base aérea de Bagram, onde foi recebido pelo general David McKiernan, o comandante das forças internacionais no Afeganistão.

O presidente falou com as tropas antes de chegar a Cabul.

Bush acabava de chegar do Iraque, onde realizou uma visita de adeus aos dirigentes iraquianos, cinco semanas antes de deixar a Casa Branca, onde será sucedido pelo democrata Barack Obama.

"Estas nações devem saber que os EUA estiveram, estão e estarão do seu lado", declarou Bush.

"O nível de dificuldades no Afeganistão é elevado. O país é bem mais vasto e mais pobre que o Iraque. No entanto, esta missão é essencial", acrescentou.

Bush também indicou que Washington e o Paquistão trabalham juntos para por fim aos ataques no Afeganistão, cometidos do Paquistão. Neste momento, ele prestou homenagem ao presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, "determinado" a dar sua ajuda.

"Ele disse publicamente e me disse em particular. Ele me olhou nos olhos e me disse: 'você não precisa me falar da violência dos extremistas, minha esposa foi morta por extremistas", declarou Bush, referindo-se ao viúvo da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, morta num atentado há um ano.

As violências dos insurgentes afegãos, entre os quais os talibãs cassados do poder no fim de 2001 por uma coalizão realizada pelos EUA, redobraram de intensidade há dois anos, apesar da presença de cerca de 70.000 soldados estrangeiros, dos quais 33.000 americanos.

O ano 2008 foi o mais sangrento para as forças internacionais no Afeganistão e o general David McKiernan pediu o envio de mais de 20.000 soldados americanos de reforço.

"Vai ser um longo combate, os combates ideológicos levam tempo", disse Bush em entrevista á imprensa conjunta com Hamid Karzaï.

"Dias difíceis nos esperam? Absolutamente. Mas as condições no Afeganistão hoje são melhores do que em 2001? Sem dúvida alguma", continuou.

Por sua vez, o presidente Karzai afirmou que a retirada das forças estrangeiras prevista no acordo recentemente concluído entre Bagdá e EUA não foi tema nas discussões no Afeganistão.

"O Afeganistão não deixará a comunidade internacional abandoná-lo enquanto não for bastante forte para se defender, enquanto não tiver uma boa economia e enquanto não tiver obtido do presidente Bush e da próxima administração bilhares de dólares", destacou Hamid Karzaï.

O presidente afegão destacou ainda que seu país não quer ser um "fardo eterno" para a comunidade internacional.

Os EUA são responsáveis por um terço dos cerca de 15 bilhões de dólares de ajuda ao desenvolvimento gastos no Afeganistão desde 2001.

A visita de George W. Bush no Afeganistão não foi marcada por nenhum incidente, ao contrário da visita a Bagdá, onde um jornalista iraquiano o chamou de cachorro antes de lançar seus sapatos contra o presidente.

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