Após nova detenção, Portugal reforça luta contra presença da ETA

Emilio Crespo. Lisboa, 13 mar (EFE).- Após a detenção em Lisboa de Andoni Zengotitabengoa, apontado como terrorista, Portugal decidiu redobrar os esforços para acabar com a presença da ETA em seu território.

EFE |

Segundo fontes oficiais consultadas pela Agência Efe e declarações das próprias autoridades portuguesas, a detenção, um mês depois de ter sido achado em Portugal um dos maiores arsenais de explosivos da ETA em toda história da organização, ligou o alerta de segurança no país.

Portugal mantém três supostos membros da ETA atrás das grades - todos à espera de julgamento para deportação à Espanha - e investiga se a organização terrorista conta com mais esconderijos ou ativistas em território luso.

O Ministério do Interior português não descarta que a organização conte com mais instalações no país, mas assegura, devido à última detenção, que todos os recursos de segurança nacional estão voltados para acabar com isso.

Julio Pereira, chefe do Sistema de Informações da República Portuguesa (Sirp, que coordena vários órgãos de inteligência), declarou que a ETA tem "necessariamente algum tipo de apoio em Portugal", hipótese considerada também pelas autoridades antiterroristas na Espanha.

Para ele, a detenção de Zengotitabengoa, que seria um dos responsáveis pelo arsenal de cerca de uma tonelada de explosivos achado em fevereiro na cidade de Óbidos, marca uma nova realidade em Portugal a qual é preciso se adaptar.

O suposto membro da ETA foi detido no aeroporto internacional da Portela, nos arredores de Lisboa, quando tentava viajar para Venezuela. Na sexta-feira, ficou recluso em prisão preventiva por decisão do Tribunal Central de Instrução Criminal.

Estão na mesma condição e também à espera de serem entregues à Espanha ou julgados em território luso Garikoitz García Arrieta e Iratxe Yáñez Ortiz de Barrón, presos em 9 de janeiro após fugirem de uma blitz espanhola quando tentavam levar a Portugal uma caminhonete com explosivos e peças para fabricá-los.

O advogado dos três detidos, o português José Galamba, paralisou esta semana a entrega à Espanha de García Arrieta e Yáñez Ortiz com um recurso na Suprema Corte.

A defesa, que confirmou à Efe que trabalhará por Zengotitabengoa, está ainda à espera da notificação oficial da ordem de entrega do detido.

As autoridades acreditam que o suposto terrorista tenha permanecido escondido em Portugal desde que teve que abandonar Óbidos, a primeira base da ETA descoberta no país.

Embora a imprensa local aponte que o suposto membro da ETA esteve hospedado em pensões de Lisboa, as autoridades não descartam que tenha algum refúgio estável em território português.

A busca pela possível base da organização terrorista em Portugal, situada por algumas hipóteses da Polícia no nordeste do país, é um dos objetivos principais das forças de segurança, que temem também a existência de um cativeiro e um esconderijo de explosivos.

Na caminhonete que abandonaram antes de fugir de Óbidos, Zengotitabengoa e o outro suposto 'etarra' que vivia com ele, Oier Gómez Mielgo, foram encontrados objetos como pás, picaretas e roupas especiais que reforçam a tese.

Contudo, o objetivo principal da Polícia lusa é esse segundo suspeito, que, a julgar pela conduta do colega, pode seguir escondido em território português.

O 'etarra' detido levava um passaporte mexicano falso com o qual tentou escapar. Já Gómez Mielgo pode ter um aspecto também muito diferente ao mostrado nas fotos enviadas a Portugal pela Polícia espanhola.

As autoridades seguem também as pistas dos arquivos de informática apreendidos de Zengotitabengoa e do pouco frutífero interrogatório, segundo a imprensa lusa, do detido, que perante o juiz só aceitou se identificar e não quis depor. EFE ecs/rr

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