Após morte de brasileiro, Austrália discute uso de arma de eletrochoque

Grupos planejam solicitar suspensão do uso de taser pela polícia até que governo esclareça como jovem de 21 anos foi morto

iG São Paulo |

A polícia do Estado australiano de Nova Gales do Sul pode suspender o uso da arma de eletrochoque taser após a morte do estudante brasileiro Roberto Laudísio Curti , de 21 anos, no último domingo. De acordo com uma fonte da polícia, a necropsia no corpo do estudante já foi feita e os laudos devem ser divulgados nesta quarta-feira.

A comissão mista de controle de armas, o Partido Verde de Nova Gales do Sul e representantes dos direito civis planejam solicitar a interrupção do uso de taser pelo menos até que as investigações da comissão independente criada pelo governo esclareçam se a morte do brasileiro foi provocada pela arma, que causa paralisia.

Leia também: Brasil cobra explicações da Austrália sobre morte de brasileiro

As investigações sobre a morte do brasileiro estão sendo feitas pelo Departamento de Homicídios da polícia local, mas uma comissão independente criada pelo governo australiano para acompanhar o caso também deu início aos trabalhos.

"A proposta do uso do taser é a proteção da vida num caso de violência iminente, mas ele pode estar sendo usado em situações erradas pelos policiais e isso terá que ser revisto", disse o porta-voz da comissão, Bruce Barbour. Segundo ele, a polícia está apurando o caso e a comissão acompanhará com muita atenção os desdobramentos do inquérito.

Dúvidas

De acordo com o cônsul do Brasil em Sydney, André Costa, que está acompanhando as investigações e prestando auxílio à família do estudante, a polícia de Sydney ainda está sem respostas para algumas dúvidas que cercam o caso.

Entre elas o motivo de não terem sido divulgadas as gravações da câmera de segurança da loja de conveniência onde, supostamente, o brasileiro teria furtado um pacote de biscoitos - episódio que deu início à ação policial.

As imagens podem comprovar se Laudísio Curti teria realmente sido o responsável pelo furto. Segundo relatos, a descrição do ladrão não corresponderia à descrição de Roberto. O suspeito pelo roubo estaria sem camisa, mas o brasileiro vestia roupa branca quando foi cercado pelos policiais.

Uma outra dúvida apontada pelo cônsul é sobre a quantidade de disparos feitos pelas armas taser. Segundo testemunhas, o brasileiro sido atingido mais três vezes mesmo após já estar caído no chão e gritando por socorro.

O tio de Roberto, o empresário João Eduardo Laudísio, que chegou a Sydney na noite desta terça-feira, disse não acreditar que o sobrinho tenha entrado na loja para roubar um pacote de biscoitos, já que ele tinha dinheiro suficiente e era um rapaz com uma conduta exemplar.

Segundo os amigos, Beto, como era tratado pela família, era um rapaz alegre e extrovertido que jamais pegaria um pacote de biscoito sem pagar.

O estudante estava na Austrália desde o ano passado para visitar a irmã e o cunhado e fazer um curso de inglês numa escola de Bondi Junction, um bairro no sul da cidade.

Com BBC

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