Após meio século, direita tenta chegar ao poder pelas urnas no Chile

Cerca de 8,5 milhões de eleitores vão às urnas neste domingo no Chile para escolher o próximo presidente e renovar o quadro de deputados e senadores do país. As pesquisas indicam que nenhum dos presidenciáveis será capaz de superar a marca de 50% de votos válidos e evitar a realização de um segundo turno no dia 17 de janeiro.

BBC Brasil |

Reuters
Favorito, Sebastián Piñera vota nas eleições no Chile

Favorito, Sebastián Piñera vota nas eleições no Chile

O repórter da BBC em Santiago Gideon Long disse que há sinais de que, após 20 anos de governo de centro-esquerda, o Chile parece estar prestes a experimentar uma virada para a direita.

O candidato favorito é o oposicionista conservador Sebastián Piñera, um empresário do ramo de comunicações filiado ao partido Renovação Nacional que conta com 44% das intenções de voto.

Ele tem apostado em um discurso duro em prol da segurança, que parece estar sendo bem recebido pelo eleitorado.

Piñera, que foi derrotado em 2006 pela atual ocupante do cargo, a presidente Michelle Bachelet, também tem enfatizado seu perfil de homem de negócios para convencer os eleitores de que promoverá uma reativação da economia chilena, a uma taxa de 6% ao ano nos próximos quatro anos.

Se ele for eleito, será a primeira vez em 51 anos que os conservadores chegarão ao poder no Chile pela via eleitoral - a última vez foi através do golpe de Estado que colocou o general Augusto Pinochet no poder, em 1973.

Mas, se as pesquisas acertarem e Piñera não for eleito agora, o presidenciável conservador terá de enfrentar três outras forças de esquerda, que tentarão se unir e superar as disputas internas que as têm caracterizado até agora.

O ex-presidente Eduardo Frei, da frente governista de centro-esquerda Concertación, aparece em segundo lugar nas pesquisas, com 31% das intenções de voto.

O independente e dissidente da base governista Marco Enriquez-Ominami, de apenas 36 anos, conta com 17,7% das intenções e aparece em terceiro lugar.

O quarto candidato é Jorge Arrate, um veterano da esquerda que foi ministro do ex-presidente Salvador Allende nos anos 1970 e conta com o apoio do Partido socialista chileno.

Congresso

Enquanto a corrida presidencial ocupa os lugares mais visíveis deste processo eleitoral, menos atenção tem sido dada à votação para renovar todos os deputados e 18 senadores do Congresso chileno.

Para a repórter da BBC Mundo em Santiago Yolanda Valery, esta escolha será "tão crucial quanto ou até mais que" o primeiro turno da presidencial.

Qualquer um dos eleitos terá de enfrentar um Congresso fragmentado, diz a repórter. "Basta recordar que nenhum dos principais candidatos representa uma única organização ou partido, mas alianças que, por diversas razões, parecem atravessar uma situação difícil."

Historicamente, o sistema de eleição para o Congresso chileno - binominal - tem resultado em um Legislativo extremamente dividido, do ponto de vista dos seus críticos, ou equilibrado, do ponto de vista dos seus defensores.

Cada região elege dois representantes em cada casa, e cada partido tem direito a postular até dois candidatos a cada cargo. Os dois partidos com mais voto obtêm um cargo cada qual. Se um partido receber o dobro da votação do outro, leva os dois cargos.

"Na prática, vai ser uma maioria débil, porque estará atravessado por conflitos internos de cada coalizão", avaliou o cientista político da Universidade do Chile, Guillermo Holzman.

"Isso significa que será uma maioria muito diversa, complexa e instável."
Para o analista, "o que interessa, aqui, é como vão estar representados cada um dos partidos, quantos independentes vão ser eleitos e quantos candidatos do Partido Comunista vão chegar pela primeira vez ao Congresso".

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