Dacar - As eleições presidenciais no Gabão para escolher o sucessor de Omar Bongo, morto em junho, começaram marcada por tensão em diversos colégios eleitorais. A eleição acontece após 42 anos de um governo autoritário.

Bongo, líder do Partido Democrático Gabonês (PDG), governou o país ininterruptamente durante 42 anos e seus sucessivos Governos estiveram marcados por numerosos escândalos de corrupção.

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Mulher vota em urna improvisada no Gabão

A situação está muito tensa em vários bairros pobres de Libreville, onde milhares de gabonenses fazem fila nos colégios eleitorais.

Um homem acusado de ser guineano e de não ter o direito de votar quase foi linchado por populares em Nkembo, no leste da capital, onde eleitores denunciaram irregularidades na votação.

Muitos colégios eleitorais de Libreville abriram suas portas com atraso devido à demora da entrega do material eleitoral e à ausência de agentes eleitorais, constataram jornalistas da AFP.

O primogênito do falecido governante, Ali Bongo, desponta como favorito, embora os analistas assinalaram que "nada está escrito" nestas eleições na qual participam outros 18 candidatos, entre eles o ex-ministro do Interior André Mba Obame, que tem, aparentemente, um grande apoio político.

Após a morte de Omar Bongo, opositores e organizações civis exigiram uma mudança tangível, a renovação da classe política e uma clara democratização após mais de quatro décadas de Governo autoritário, corroído pela corrupção e com 60% da população na pobreza, apesar da riqueza petrolífera do país.

A oposição, que denunciou previamente a probabilidade de uma fraude eleitoral em favor de Ali Bongo, exigiu também, embora em vão, o adiamento das eleições.

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Centenas de eleitores esperam sua vez de votar em colégio eleitoral

A votação ainda foi perturbada neste domingo pelo anúncio da desistência de Casimir Oyé Mba, outro favorito à vitória. Sexta-feira, ele desmentira categoricamente a possibilidade de se aliar a Obame.

É provável que muitos eleitores de Mba sequer tenham sido informados da mudança, que deixa 17 candidatos à presidência.

Os opositores duvidam ainda da confiabilidade do censo eleitoral e assinalaram que é muito grande o número de 813 mil eleitores em um país que conta com cerca de 1,5 milhão de habitantes.

As forças de segurança desdobraram milhares de seus soldados nos 2.800 colégios eleitorais distribuídos em todo o país.

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