Após golpe de Estado, União Africana suspende Níger

ADIS ABEBA - A União Africana (UA) suspendeu nesta sexta-feira o Níger, país da África Ocidental, em retaliação ao golpe de Estado que depôs o presidente do país, Mamadou Tandja, na quinta-feira. Os confrontos ocorridos durante o levante teriam deixado pelo menos dez mortos.

iG São Paulo |

"O Níger está suspenso de todas as atividades da UA. Enquanto isso, continuaremos com o processo de ajudá-los a retornar à ordem constitucional, disse Mull Sebujja Katende, chefe do Conselho de Paz e Segurança da União Africana.

Segundo ele, a organização estaria impondo sanções contra o Níger e teria ordenado o retorno à ordem constitucional.

Situação estável

Mapa
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Nesta sexta-feira, um porta-voz da junta militar que tomou o poder, Goukoye Abdoulkarim, disse à BBC que a situação no país está sob controle. Segundo ele, as fronteiras teriam sido abertas e o toque de recolher, suspenso .

Os golpistas disseram que o objetivo deles é restaurar a democracia e resgatar a população "da pobreza, do engodo e da corrupção".

Pouco se sabe sobre o líder do golpe, coronel Djibo. Como comandante da "zona militar 1", encarregada de Niamey e das regiões de Dosso e Tillaberi, ele controla 40% do arsenal militar.

Os militares responsáveis pelo golpe de Estado no Níger assumiram todos os poderes, suspenderam a Constituição e mantêm presidente Tandja retido.

Após o assalto ao palácio presidencial, formaram um cinturão militar em torno do bairro onde Tandja mora. Funcionários da presidência disseram que, após o assalto ao palácio, Tandja foi levado em um veículo militar com destino desconhecido. Já os ministros teriam sido conduzidos à sala de reunião do Conselho Superior da Comunicação.

AFP
Membros da junta militar se posicionam perto de local onde deposto está detido

Militares se posicionam perto de local onde líder deposto está detido


Durante a manhã desta sexta-feira, um militar que pediu anonimato disse à Efe que o presidente deposto está detido em um instalação do Exército na região de Dosso, aproximadamente a 140 quilômetros da capital, enquanto os ministros estão em diferentes quartéis de Niamey.

Os líderes do levante, que afirmam ter constituído o Conselho Supremo para a Restauração da Democracia (CRSD), anunciaram a dissolução do governo e pedem aos secretários-gerais dos ministérios que administrem os assuntos correntes.

"Foi pedido à população que se mantivesse calma e unida aos ideais que encorajam o CSRD e que farão do Níger um exemplo de democracia e de bom governo", assinala um comunicado dos golpistas.

Além da União Africana, a União Europeia também condenou o golpe. A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, incentivou "todos os envolvidos a se comprometerem imediatamente em um processo democrático" para estabelecer uma "ordem constitucional" no país.

"A UE compartilha a inquietude da União Africana (UA) e da Comunidade Econômica dos Estados da África do Oeste (CEDEAO) sobre os acontecimentos recentes e apoia seus esforços de mediação", prosseguiu Güllner em um comunicado.

Alívio nas ruas da capital

Após constatar que a situação do país está "sob controle", prometeram o fim do Estado de sítio no final do dia e a reabertura das fronteiras terrestres e aéreas.

Nas ruas de Niamey, o golpe de Estado foi recebido por muitos com um sentimento próximo ao alívio, tal foi a tensão política no país durante os últimos tempos.

"A intervenção militar foi a única via para se livrar de Tandja, que não queria abandonar o poder", declarou Hamidou Alzouma, morador de Niamey.

Níger, um dos países mais pobres do mundo apesar de ser o terceiro produtor mundial de urânio, atravessa uma grave crise política desde que o presidente decidiu prolongar seu mandato.

AP
Mamadou Tandja
Tandja, presidente do Níger

Após dez anos no poder, Tandja, de 71 anos, dissolveu no ano passado o Parlamento e o Tribunal Constitucional e conquistou o aumento de seu mandato por pelo menos mais três anos em um referendo realizado em agosto.

O coronel Dikibrilla Hima Hamidou, comandante da unidade de elite militar do Níger e ex-membro de outro grupo responsável por um golpe de Estado em 1999, apareceu junto ao porta-voz que anunciou a tomada de poder.

Segundo informações, os militares golpistas prenderam Tandja em um local diferente de onde estão os ministros.

A França, que teve Níger como colônia até sua independência em 1960, pediu a seus cidadãos que não saiam às ruas. O gigante francês da energia nuclear Areva é o maior empregador privado no país.

*Com informações da BBC Brasil, Reuters, AFP e EFE

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