Após fracasso dos mais ricos, emergentes alçam sua voz em meio à crise

Paco G. Paz.

EFE |

Washington, 14 nov (EFE).- A Cúpula do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e os principais emergentes) se transformou em uma oportunidade crucial para que as economias dos países em desenvolvimento alcem sua voz, após a evidência de que os mais ricos não só originaram a crise, como também não a frearam.

Chefes de Estado e de Governo do G20 se reunirão amanhã em Washington para estudar a nova arquitetura financeira internacional, em um momento em que está ameaçado o crescimento de todo o mundo.

O acontecimento é inovador não apenas por seus possíveis resultados, como os que envolvem uma nova regulação financeira, mas também pelos presentes ao encontro. O G20 era até agora um fórum informal de consultas, ganhando força ao calor da crise atual.

Do grupo, criado em 1999, fazem parte os sete países mais industrializados do mundo, mais 12 das principais economias emergentes, e a União Européia (UE) como bloco.

Portanto, é formado pelos países do Grupo dos Sete (EUA, Canadá, Japão, Alemanha, Reino Unido, Itália e França), além da Rússia, com o qual formam o Grupo dos Oito, mais Brasil, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, China, Coréia do Sul, Índia, Indonésia, México, África do Sul e Turquia, além da UE.

O G20 traduz, portanto, diversidade, e geralmente possui interesses muito díspares, fatores que fizeram com que o grupo não adquirisse muita relevância até agora.

Mas com a crise financeira mundial, a situação mudou. E em um momento em que os EUA e a UE necessitavam convocar com urgência uma cúpula, o G20 pareceu o formato mais apropriado para isso.

Ao contrário do que vem sendo habitual, serão os emergentes os que criticarão os ricos, cuja autoridade foi minada por culpa dos péssimos resultados apresentados no combate à crise.

Já na ultima semana, em reunião preparatória realizada em São Paulo, Brasil - que preside atualmente o G20 -, Rússia, Índia, China, África do Sul e México não pouparam críticas às nações mais industrializadas, por não terem conseguido conter a crise.

Além disso, puseram na mira o atual sistema financeiro internacional, e mais concretamente o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM), por não terem prevenido a situação e por não representarem, segundo os emergentes, a composição do sistema econômico atual.

Os pedidos que serão levados pelos países emergentes a Washington serão ambiciosos, como a proposta de uma nova formulação total do sistema financeiro internacional criado em Bretton Woods - na histórica reunião realizada em 1944 e na qual ficou decidida a criação do FMI e do BM.

Ao contrário daquela época, os emergentes consideram que o peso do crescimento econômico não recai agora sobre as nações mais desenvolvidas, e sim sobre eles, que respondem por 75% dessa expansão. Por isso, os países em desenvolvimento reivindicarão uma maior participação nas duas instituições financeiras.

Como sinalizou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, os países do G7 foram incapazes de dar soluções à grave crise financeira.

"Ou o G7 muda, e se transforma no G14, ou preferiremos fortalecer o G20", comentou o ministro. EFE pgp/fr

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