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Após fracasso de vacina , luta contra Aids se centra em prevenção

CIDADE DO MÉXICO - Após o fracasso das últimas tentativas para se obter uma vacina contra a Aids, a luta contra a doença, que atinge mais de 33 milhões de pessoas no mundo todo, passou a se centrar em medidas de prevenção.

EFE |

O mexicano Luis Soto, co-presidente da 17ª Conferência Internacional sobre Aids ("Aids 2008"), que será realizada entre 3 e 8 de agosto, na capital mexicana, declarou à Efe que, durante esse encontro mundial de especialistas, do qual participarão mais de 20 mil pessoas, poderão ser vistos os "resultados dramaticamente negativos do último teste de vacinas".

Segundo sua opinião, os resultados decepcionantes da última vacina desenvolvida pelos laboratórios Merck, e testada em 3 mil voluntários de diferentes países, marcará uma nova posição frente à possibilidade de se obter uma vacina contra a aids.

"É preciso tomar esses novos resultados e dar-lhes uma nova forma, pois todos continuamos esperando que haja uma vacina capaz de solucionar todo o problema", disse.

"É necessário sentar-se e reconhecer que é provável que, nos próximos 20 ou 30 anos, não se encontre uma vacina, o que forçará a adoção de outros esforços preventivos", ressaltou.

Soto, chefe de Virologia Molecular do Departamento de Infectologia no Instituto Nacional de Nutrição do México, explicou que, em todas as vacinas tradicionais, o paciente "se infecta, mas não adoece", pois "o vírus circula pelo sangue, mas os anticorpos da vacina atuam e o matam".

"Este conceito não pode ser transferido ao caso da aids, pois significaria que, hipoteticamente, todos teriam que ser HIV positivo", sustentou.

Além disso, o HIV é um vírus em transformação, e continuamente se recombina, motivo pelo qual poderia "escapar da vacina".

O que se busca é "uma vacina que crie imunidade esterilizante, ou seja, que em contato com o vírus, o mate, uma possibilidade que atualmente não é viável", reconheceu.

Por esta razão é necessário concentrar-se na prevenção, pois se não forem feitos mais esforços preventivos, "o mundo cairá em um problema como o da África, onde economicamente não é sustentável" para um país procurar todos os remédios aos pacientes.

A esse respeito, lembrou que, no México, por exemplo, estão em tratamento 45 mil pessoas, mas a cada ano aparecem entre quatro e cinco mil novos casos, o que fará com que, em 9 anos, o número de pacientes duplique, e o desafio financeiro se torne ainda maior.

Em matéria de prevenção, a Aids 2008 dará mais atenção à transmissão do vírus entre homens que mantêm relações sexuais com pessoas do mesmo sexo, e à prostituição.

Apesar das dificuldades em relação à vacina, nem tudo se resume a más notícias.

"O mundo vive um momento em que temos, não grandes, mas importantes descobertas sobre como funciona o vírus, e como produz dano", assinalou Soto.

As empresas farmacêuticas desenvolveram remédios para atacar o vírus, que já causou 26 milhões de mortes desde a década de 1980, em quatro fases distintas. Até pouco tempo atrás, se podia combater o HIV em apenas duas fases.

Os remédios e tratamentos atuais, que são testados há 10 anos, "provavelmente são capazes de prolongar a vida de um paciente por cerca de 30 anos, com excelente qualidade, uma vez que o indivíduo infectado tome o remédio quase perfeitamente", considerou o especialista.

No entanto, Soto opinou que a criação de remédios novos depende de um "balanço" definitivo entre remédios genéricos e patenteados.

"É claro que as companhias farmacêuticas às vezes cobram preços muito altos por esses remédios, mas as companhias de genéricos não desenvolvem remédios novos", argumentou.

Neste sentido, uma solução poderia ser fazer com que os países negociassem em bloco com as farmacêuticas os preços dos remédios para obter melhores condições, e que se motive as empresas fabricantes de genéricos a investir em pesquisa.

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