Após flexibilização, Cuba espera mais visitantes dos EUA

HAVANA (Reuters) - Cuba espera receber um grande afluxo de visitantes dos Estados Unidos depois que o presidente Barack Obama sancionou na quarta-feira uma lei que elimina parte das restrições ao comércio e às viagens para a ilha, disseram fontes de uma empresa estatal de turismo. As novas regras constam em uma lei de execução orçamentária de 410 milhões de dólares, que vai nortear os gastos públicos norte-americanos até 30 de setembro. O texto não elimina as restrições adicionais impostas em 2004 pelo governo de George W. Bush, mas suspende as verbas federais para a sua implementação.

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Em sua campanha eleitoral, o presidente Barack Obama prometeu suspender as restrições adicionais impostas por Bush, mas afirmou que manterá o embargo econômico em vigor há 47 anos, para pressionar a democratização de Cuba.

A partir de agora, os cubano-americanos poderão visitar a ilha todos os anos, e não mais a cada três anos, e o limite de permanência de duas semanas foi abandonado.

"Espera-se uma boa afluência de visitantes dos Estados Unidos, de fato já terminou a ampliação da alfândega e do terminal 2 (do Aeroporto José Martí, onde chegam os vôos da Flórida)", disse à Reuters uma fonte da agência Havanatur Celimar, líder no mercado do turismo norte-americano para a ilha.

"É incalculável o que se espera de visitantes", acrescentou a fonte, que pediu para não ser identificada.

Outra fonte disse que, antes das restrições a viagens e remessas de divisas impostas em 2004, a agência recebia uma média de 20 a 22 voos diários procedentes de Miami, Los Angeles e Nova York.

Atualmente, só chegam a Havana três a cinco voos diários, além de um cargueiro com bagagens, já que "os aviões que estão operando são pequenos", segundo a fonte.

A nova lei também permitirá que vendedores de produtos agrícolas e de medicamentos tenham mais facilidades para visitar a ilha. Também foi ampliado o limite de remessas de dinheiro de cubano-americanos para seus parentes na ilha - o limite até então era de 100 dólares por mês.

Embora a imprensa estatal cubana não tenha difundido a notícia, o aeroporto de Havana fervilhava de rumores sobre o assunto na quarta-feira.

"É uma grande satisfação que tirem um pouco de travas para viajar a Cuba, pelo menos é um primeiro passo para que melhorem as relações", disse, despedindo-se de parentes, o cubano Pedro Fernández, que vive em Miami e desde 1994 viaja à ilha.

Funcionários cubanos haviam dito em dezembro, semanas antes da posse de Obama, que a ilha estava "preparada" para receber turistas dos EUA.

No ano passado, o Ministério do Turismo anunciou a ampliação da capacidade hoteleira da ilha em 21 por cento, chegando a 46 mil quartos. O órgão não citou prazos para a ampliação.

(Reportagem de Nelson Acosta; texto de Rosa Tania Valdés)

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