Após fim de guerra civil, milhares de peruanos seguem desaparecidos

Lima, 28 ago (EFE).- Cerca de 15 mil pessoas continuam desaparecidas no Peru depois da chamada guerra suja entre o Estado e os grupos terroristas (1980-2000), cinco anos após a apresentação de um relatório que busca sanar as feridas desses conflitos.

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Embora não se saiba com precisão o total de desaparecidos, o diretor-executivo da Equipe Peruana de Antropologia Legista (Epaf), José Pablo Baraybar, disse à Agência Efe que superam os 8.558, número calculado pela Comissão da Verdade e Reconciliação (CVR).

A partir de 2007, o Epaf completou a lista da CVR com outras mais, entre elas a da Defensoria Pública, o que permitiu à equipe determinar estimar os desaparecidos em cerca de 15 mil, explicou Baraybar, que já trabalhou em investigações legistas na Iugoslávia e no Iraque.

Ele também acredita que o número de desaparecidos no Peru seja maior, já que ainda não se averiguaram regiões como o Alto Huallaga, ao nordeste do país, o Vale dos rios Apurimac e Ene (VRAE), ao sudeste, e a selva central.

As desaparições forçadas no Peru confirmam que as vítimas foram em sua maioria habitantes quéchuas de zonas rurais e em situação de extrema pobreza, segundo o relatório da CVR.

Baraybar afirmou que no caso peruano, onde o conflito interno deixou, segundo a CVR, quase 70 mil mortos e desaparecidos, o desaparecimento forçado foi "uma ferramenta exclusiva do Estado" e não "um dano colateral", como aconteceu em países como Guatemala.

Salomón Lerner, ex-presidente da CVR do Peru, disse à Efe que, entre os avanços mais importantes, está o processo aberto por violação dos direitos humanos contra o ex-presidente Alberto Fujimori (1980-2000), acusado por diversos setores de ser o principal responsável pela guerra.

A Justiça peruana já condenou a até 35 anos de prisão ex-militares que participaram do massacre de La Cantuta (1992), que foi, junto ao de Barrios Altos (1991), um dos principais do regime de Fujimori.

A CVR atribuiu 54% das mortes registradas nesse período ao Sendero Luminoso, e 44,5% delas às forças da ordem e grupos paramilitares.

Hoje, no quinto aniversário do relatório da CVR, a Defensoria Pública e ativistas de direitos humanos farão uma homenagem no monumento "El ojo que llora" (O olho que chora) às vítimas deste sangrento conflito. EFE watt/ab/rr

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