Após fala de Kirchner, ruralistas extendem protestos até sexta

Os líderes das quatro entidades do setor rural na Argentina anunciaram, nesta quarta-feira, que vão extender o seu protesto até sexta-feira à meia-noite. O anúncio foi feito pouco depois que a presidente Cristina Kirchner criticou os representantes dos fazendeiros.

BBC Brasil |

Antes do discurso presidencial, os ruralistas pretendiam terminar o protesto na noite desta quarta-feira. "Presidente, não somos desestabilizadores, não estamos gerando desabastecimento. (...) Queremos pedir mais respeito à presidente", disse Eduardo Buzzi, presidente da Federação Agrária Argentina.

"A senhora disse que ninguém votou em nós. Mas, sim, fomos eleitos, a partir de eleições internas em nossas entidades. (...) A presidente deveria se informar um pouco mais para saber que somos democráticos, que fomos eleitos pelos produtores".

Em entrevista à imprensa, Buzzi disse ainda, também em resposta ao discurso da presidente, que os líderes ruralistas não têm pretensões eleitorais. Segundo ele, o "mau estar" gerado pelas palavras da presidente entre os fazendeiros, no interior do país, foi o que levou à continuidade do protesto - que completa cem dias nesta quarta-feira e deverá limitar-se à suspensão da comercialização de grãos para exportações.

Contra o projeto
Mario Llambias, presidente da Confederações Rurais Argentinas (CRA), disse na mesma entrevista que a "insatisfação" dos ruralistas também é contra a forma como o projeto-de-lei, que prevê o aumento de impostos às exportações de grãos, foi enviado ao Congresso Nacional.

"No início, pensamos que poderia ser uma boa notícia porque queremos o debate da medida. Mas hoje sabemos que o projeto, como o governo mandou, não permitirá o debate. Os legisladores só poderão dizer se aprovam ou rejeitam a proposta oficial", disse.

Cristina anunciou na terça-feira que a medida, que antes seria adotada pelo Executivo, seria enviada ao Congresso. Llambias e Buzzi informaram que os ruralistas vão visitar diferentes parlamentares no fim-de-semana para que eles consigam debater a proposta no Parlamento. Eles afirmaram ainda que vão entrar na justiça contra as acusações que têm recebido - inclusive, contaram, num spot na TV - de que são "desestabilizadores" e "provocam desabastecimento".

Llambias afirmou que o governo pretende "usá-los" para "esconder" os "graves erros de condução da economia".

"Sem bloqueio"
Por sua vez, Buzzi afirmou que o protesto não prevê o bloqueio de estradas - o que vem sendo realizado, nos últimos dias, principalmente por caminhoneiros e ruralistas que se declaram "independentes", sem vínculo direto com as entidades rurais.

"Querem nos acusar por problemas pelos quais não somos responsáveis (...). Não existem bloqueios de trânsito em 200 quilômetros, 300 quilômetros em torno de Buenos Aires e, no entanto, enfrenta-se (como no interior do país) falta de combustíveis. Então, a culpa disso também é nossa? Ou isso ocorre por que as petroleiras estão exportando muito?", afirmou Buzzi.

Nestes mais de três meses, desde que foi anunciada a medida, um ministro da Economia, Martín Lousteau, deixou o cargo, a presidente fez vários discursos sobre o assunto, mudou a medida três vezes, o país enfrentou escassez de produtos e dois problemas já existentes foram agravados - a escalada de preços e a escassez de combustíveis.

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