Após expulsar órgão antidrogas dos EUA, Bolívia ficará com seus equipamentos

La Paz, 5 nov (EFE).- Os bens e equipamentos do Departamento Antidrogas dos Estados Unidos (DEA, na sigla em inglês) passarão à propriedade da Bolívia após a saída deste órgão do país andino, que deve concretizar-se em três meses, com expulsão determinado pelo presidente Evo Morales, confirmou hoje o Governo de La Paz.

EFE |

O ministro de Governo, Alfredo Rada, disse hoje aos jornalistas que esses bens e equipamentos ficarão na Bolívia porque foram entregues em qualidade de doação por isso é lógico "que se consolidem como parte do patrimônio nacional".

"Isto é o que se colocou oficialmente, como corresponde e nós vamos seguir trabalhando nesta linha de implementar uma política antidrogas de respeito à soberania nacional", disse Rada, antes de entrar no Palácio de Governo.

Os agentes do DEA devem sair do país em três meses, segundo uma decisão do presidente Evo Morales que os acusou de espionar ao Governo e conspirar com a oposição para derrubá-lo.

Todo o equipamento técnico e logístico, armamento, 200 veículos e outros ativos passarão à propriedade do Estado boliviano, precisou de à imprensa o vice-ministro da Defesa Social, Felipe Cáceres, encarregado da luta contra o narcotráfico.

A expulsão do DEA foi criticada pelos dirigentes da oposição que advertiram de um possível aumento do negócio do narcotráfico -uma medida que poderia beneficiar aos produtores de coca do país, os quais o presidente Morales já liderou.

O presidente acusou hoje seus críticos de "gente que não tem dignidade" e que "vivia dos bônus dos Estados Unidos".

"A DEA comandava as Forças Armadas, a DEA comandava a Polícia, a DEA fazia um controle político do Governo nacional (...), a DEA matava, atirava contra o movimento camponês, cocaleiro especialmente", acusou Morales.

O Governo boliviano alegou que reforçará a luta antidrogas, ressaltando que no que, neste ano, realizou 9.600 operações policiais neste sentido, contra uma média de 3 mil a 4 mil feitas em gestões anteriores.

Durante este ano também se confiscou a histórica quantidade de 25 toneladas de cocaína e de 1.132 toneladas de maconha.

Rada confirmou, além disso, que aumentará o orçamento estatal na luta contra o narcotráfico e que a Bolívia impulsionará o projeto regional para que os países da América do Sul coordenem as ações contra as máfias. EFE ja/jp

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