Após 'expulsão', site WikiLeaks muda de endereço

Provedor retira domínio wikileaks.org do ar alegando que "múltiplos ataques" de hackers ameaçam toda a sua rede

iG São Paulo |

O site WikiLeaks, especializado em vazar documentos secretos, foi obrigado a mudar de endereço após seu domínio original (wikileaks.org) ser retirado do ar pelo provedor americano EveryDNS na madrugada desta sexta-feira. A EveryDNS, , que faz a gestão de domínios de internet, justificou a medida dizendo que os ataques de hackers ao WikiLeaks estavam ameaçando toda a sua rede.

Em nota, a EveryDNS disse que o "wikileaks.org se tornou alvo de múltiplos ataques". "Esses ataques já ameaçaram e, no futuro, vão continuar ameaçando a estabilidade da nossa infraestrutura." A empresa dá acesso a cerca de 500 mil sites.

O WikiLeaks agora passa a funcionar no endereço wikileaks.ch, com base na Suíça. Na manhã desta sexta-feira, porém, o site funcionava de forma instável, saindo do ar em vários momentos. Um rastreamento mostrou que o WikiLeaks também está hospedado em um servidor francês. Segundo o site especializado Gizmodo, o servidor OVH, baseado em Roubaix, acolhe o WikiLeaks desde quinta-feira.

Mas o Ministério de Economia Digital francês, Eric Besson, iniciou nesta sexta-feira o procedimento para que site deixe de ser hospedado no servidor francês por considerá-lo "criminoso". Besson escreveu ao Conselho Geral da Indústria, Energia e Tecnologias (CGIET) para que acabe com a presença no OVH.

"Essa situação não é aceitável. A França não pode abrigar sites que violam o segredo das relações diplomáticas e põem em risco pessoas protegidas pelo segredo diplomático", indicou.

Na quinta-feira, a empresa americana Tableau Software, cujo software foi utilizado pelo WikiLeaks para criar e publicar gráficos relacionados com a diplomacia americanas, retirou também seu suporte técnico ao site do australiano Julian Assange.

Em seu blog, a empresa explicou que na quarta-feira à tarde retirou "visualizações de dados publicados pelo WikiLeaks" em resposta a um pedido público do senador independente por Connecticut Joe Lieberman, que preside o Comitê de Segurança e Assuntos Governamentais do Senado dos EUA.

Na quarta-feira, o WikiLeaks anunciou que a Amazon.com o expulsou de seus servidores, forçando o site a voltar para um provedor sueco. Lieberman disse que a medida da Amazon.com foi tomada depois de membros do Congresso terem pedido na terça-feira à companhia que repensasse seu relacionamento com o WikiLeaks.

Pelo "Twitter", o WikiLeaks demonstrou seu incômodo: "Se a Amazon está tão incomodado com a primeira emenda (que protege a liberdade de expressão) deveria deixar de vender livros."

Para garantir sua distribuição, o WikiLeaks tinha se abrigado em dois servidores, o sueco Bahnhof, muito comprometido com a liberdade de expressão, e o americano Amazon, agora substituído pelo OVH. Segundo meios franceses, O Bahnhof chegou a abrigar seus servidores em um antigo bunker antinuclear para se proteger de eventuais ataques físicos.

As revelações do último lote de documentos publicados pelo WikiLeaks provocou um tumulto diplomático mundial, ao divulgar documentos secretos de embaixadas americanas na internet. As correspondências fazem parte do pacote de mais de 250 mil comunicações entre embaixadas e outros canais diplomáticos americanos aos quais o site WikiLeaks teve acesso e que começou a vazar no domingo.

Com AP, EFE e AFP

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