Após escândalos, Brown propõe reforma política na Grã-Bretanha

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, propôs nesta quarta-feira uma reforma política para limpar o sistema, após escândalos que abalaram a credibilidade da classe política e em meio à tentativa do premiê de reforçar sua própria liderança. Na concepção de Gordon Brown, no centro do debate estaria uma consulta a respeito do sistema eleitoral.

BBC Brasil |

Mas ele descartou a ideia de levar adiante um referendo sobre esse tema antes das próximas eleições gerais, que precisam ser convocadas até maio do ano que vem.

No regime parlamentarista britânico, os parlamentares são escolhidos para a Câmara dos Comuns através de um sistema majoritário simples, de turno único, em que o candidato com mais votos em cada distrito (não necessariamente com 50% dos votos) é eleito.

Em uma proposta alternativa discutida pelo gabinete de governo, os eleitores listariam seus candidatos por ordem de preferência.

Os candidatos que levarem mais de 50% dos votos são eleitos automaticamente. Nos distritos em que isso não ocorrer, os candidatos seriam escolhidos por um sistema de alocação de votos a partir das listas de segunda escolha.

Reforma política
As propostas no sistema eleitoral fazem parte de um pacote mais amplo de reformas políticas anunciado no Parlamento, semanas após escândalos de reembolsos de despesas indevidamente requeridas por parlamentares.

Entre as propostas de Brown para evitar novos escândalos estariam a criação de um órgão independente para fiscalizar os gastos dos parlamentares, um código de conduta cujo cumprimento seria obrigatório por lei e medidas para fortalecer os comitês da Câmara baixa.

A aristocrática Câmara alta, na qual a sucessão é hereditária, também estaria incluída na reforma. O governo quer impulsionar a ideia de que o grupo de lordes seja eleito em sua maioria ou até por completo.

No início deste mês, em uma entrevista à BBC, o premiê havia afirmado querer "limpar o sistema" político.

Mas nesta quarta-feira o líder do Partido Conservador, de oposição, acusou Brown de fazer uso político da reforma em um momento em que o governo se encontra "fraco" e "dividido".

"Por 12 anos, nem um pio sobre reforma eleitoral e agora, de repente, depois de ser destruído em duas eleições (os trabalhistas) querem colocar o tema na agenda", afirmou David Cameron durante a sessão parlamentar.

Ele afirmou que "a verdadeira mudança" necessária para a Grã-Bretanha "não é nenhuma inovação". "Será que a resposta para a nossa desacreditada política, nosso país desiludido e nosso fraco governo não é uma eleição geral?"
Os planos do premiê serão anunciados após uma semana difícil, que viu a saída de quatro ministros, dois desastres eleitorais para o partido em nível local e europeu, e desafios diretos à sua autoridade como líder dos trabalhistas.

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