Fidel Castro completa amanhã dois anos de seu último discurso público e do começo de um período de transição que levou seu irmão mais novo, Raúl Castro, à Chefia de Estado e encheu a população de expectativas por reformas estruturais que ainda não aconteceram. " / Fidel Castro completa amanhã dois anos de seu último discurso público e do começo de um período de transição que levou seu irmão mais novo, Raúl Castro, à Chefia de Estado e encheu a população de expectativas por reformas estruturais que ainda não aconteceram. " /

Após dois anos sem Fidel, Cuba ainda espera por reformas estruturais

HAVANA - O ex-presidente cubano http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2008/07/25/fidel_o_icone_de_uma_revolucao_que_ja_dura_mais_de_50_anos_1470524.html target=_topFidel Castro completa amanhã dois anos de seu último discurso público e do começo de um período de transição que levou seu irmão mais novo, Raúl Castro, à Chefia de Estado e encheu a população de expectativas por reformas estruturais que ainda não aconteceram.

EFE |

Raúl Castro liderará pela primeira vez, desde que assumiu a presidência, em 24 de fevereiro, os atos do dia 26, em comemoração ao ataque, em 1953, ao Quartel Moncada de Santiago de Cuba, o início da revolta revolucionária contra Fulgencio Batista. A data 26 de julho é a mais importante do calendário da Revolução Cubana. Habitualmente foi o momento para que a cúpula do poder - o próprio Fidel Castro - delineasse as políticas do governo. 

Nessa data no ano passado, Raúl Castro reconheceu que Cuba precisava de mudanças "estruturais" para resolver os problemas que afligem a revolução há muito tempo no âmbito econômico, enquanto Fidel encontrava seu lugar no dia-a-dia do país com os artigos de reflexões.

Até agora, o general Castro se centrou em impulsionar medidas que se traduziram em pequenos espaços para a aquisição de bens de consumo, ao levantamento de proibições como a da entrada dos cubanos nos hotéis e uma reforma agrária que procura recuperar o campo cubano.


Depois de dois anos sem Fidel, Raúl Castro imulsiona mudanças e gera expectativas / AP

Além disso, impulsionou a descentralização em setores como o agrícola ou o imobiliário e o Governo anunciou a reativação, nove anos depois, da concessão de licenças para transportadoras privadas.

Para alguns observadores e analistas, a mudança fundamental com relação à Cuba de Fidel Castro está nas "expectativas" geradas na população, mas não deixam de assinalar que a ilha ainda aguarda mudanças "estruturais" para problemas crônicos, como os da produção, do transporte ou da moradia.

Enquanto isso, organizações de dissidentes consultadas pela Agência Efe consideram que as coisas não só não melhoraram para a oposição interna, mas nos últimos seis meses pioraram pelo aumento das detenções de curta duração e as atuações da Polícia para abortar suas atividades.

"Impasse" e "confusão"

Para Manuel Cuesta Morúa, do social-democrata Arco Progressista, o país "se encontra em um 'impasse' no qual não parece haver retorno, mas também não parece que caminhe para frente, como muitos cubanos esperavam a estas alturas".

Em sua opinião, a dualidade dos irmãos Castro "gera muita confusão".

Martha Beatriz Roque, da Assembléia para Promover a Sociedade Civil, assegura que Raúl Castro "é mais do mesmo"; que há um "aumento da fustigação em direção à dissidência e ao povo" e Cuba é "um país sem saída".

Para Oscar Espinosa, preso do grupo dos 75 condenados em 2003, a figura de Fidel Castro "decaiu muito" e, "nestes dois anos, se criaram muitas expectativas de mudanças".

Ele qualificou os discursos de Raúl Castro de "realistas" e "crus", embora, em sua opinião, atualmente "haja uma certa queda" nas esperanças da população, após serem aprovadas medidas que são "muito menos do que se esperava".

Fidel permanece

Fidel Castro, que completará 82 anos em duas semanas, conseguiu com seus artigos de "reflexões" que a passagem destes dois anos sem aparecer publicamente não tenham feito com que desaparecesse do presente de Cuba.

Suas opiniões aparecem com freqüência variável na ilha através de artigos que seguiram uma evolução em seu formato e conteúdo desde que surgiram pela primeira vez, em março de 2007.

Ele consolidou seu próprio espaço na internet na página Cubadebate , uma tribuna que não conhece horários, nem limites de conteúdo, e que permite ao líder cubano opinar sobre questões que afetam Cuba, dar notícias de seus encontros com visitantes e até repassar a história de outros países.

As palavras de Fidel continuam tendo o peso de provir do comandante-em-chefe, título pelo qual continua sendo chamado, apesar de ter pedido expressamente que o povo deixasse de fazer isso.

Seus comentários, em algumas ocasiões em aparente contradição com o presidente, chegaram a despertar especulações sobre a falta de sintonia entre os irmãos sobre as medidas adotadas pelo Governo ou a política externa da ilha.

Raúl Castro deixou claro há 15 dias, no primeiro comparecimento perante o Parlamento desde que assumiu a presidência, que a opinião do ex-presidente continua sendo determinante, ao revelar que Fidel deu o sinal verde a seu discurso e, inclusive, disse: "Está perfeito".

Leia mais sobre: Cuba

    Leia tudo sobre: cuba

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG