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Após Doha, Mercosul busca negociações 4 mais 1 , diz Marco Aurélio

Depois do fracasso das negociações da Rodada Doha de liberalização do comércio mundial, o Mercosul deverá avançar nas negociações no formato quatro mais um, disse neste domingo à BBC Brasil o assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia. Segundo ele, os quatro países do bloco (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) deverão buscar negociações com a União Européia ou os Estados Unidos, por exemplo.

BBC Brasil |

Marco Aurélio chegou a Buenos Aires neste domingo, poucas horas antes do desembarque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deverá se reunir com sua colega argentina, Cristina Kirchner, na segunda-feira.

"Vamos levar sempre (para as mesas conjuntas de negociação) os interesses dos quatro países", disse Marco Aurélio, ao ser questionado se a "debilidade" da indústria argentina, citada pela própria presidente, não poderia voltar a ser um impedimento para uma proposta única dos dois países, como foi nas discussões da Rodada Doha.

Durante as negociações da Rodada Doha, em Genebra, a imprensa argentina chegou a destacar que as divergências entre Brasil e Argentina haviam deixado "uma ferida" entre os dois sócios no Mercosul.

Neste sábado, porém, na primeira entrevista coletiva de seu governo, Cristina disse que apesar das "posições diferentes" que seu país e o Brasil apresentaram na Rodada Doha, a integração não foi afetada.

A expectativa é de que o tema seja tratado na reunião com Lula. A visita do presidente brasileiro tem sido considerada por analistas argentinos um gesto de apoio político de Lula à Cristina, após os desgastes sofridos pela presidente depois de uma longa disputa com o setor rural.

"Compensações"
Segundo Marco Aurélio, é "muito precário" falar em "compensações" ou "concessões" à Argentina. "O principal é ver um denominador comum para os países", disse.

Ele afirmou que o Brasil "não iria tomar decisões que pudessem ferir o bloco".

Marco Aurélio disse que nas discussões da Rodada Doha os países defenderam individualmente seus interesses, mas não foram as diferenças entre Brasil e Argentina que levaram as negociações em Genebra ao fracasso. "Não foi isso que afetou a Rodada de Doha", afirmou.

Quando questionado se essas diferenças não afetariam a relação entre os dois países, respondeu: "Como em todos os casamentos, sempre há problemas. Mas são problemas menores frente à decisão de marcharmos juntos nessa integração".

Marco Aurélio ressaltou que a presença de mais de 200 empresários brasileiros, que integram a comitiva do presidente Lula, confirma o interesse pela realização de investimentos no país vizinho, assim como dos argentinos no Brasil. Segundo ele, isso também faz parte da integração.

Lula e Chávez
Esta visita de Lula à Argentina é a 12ª desde que foi eleito em 2002 e deverá durar menos de 24 horas. Além da comitiva de empresários, acompanham o presidente cinco ministros.

A agenda prevê que Lula oferecerá um jantar neste domingo à presidente argentina. No dia seguinte, os dois participam da abertura de um seminário entre os dois países. A previsão é de que Lula retorne ao Brasil na tarde de segunda-feira.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, também visita a Argentina nesta segunda-feira. O líder venezuelano foi convidado por Cristina na última quinta-feira.

O governo argentino planejava realizar uma reunião entre os três líderes. A realização dessa reunião chegou a ser confirmada por diplomatas argentinos e pelo ministro do Interior, Florencio Randazzo.

No entanto, nos bastidores do govenro brasileiro, o encontro não estava previsto e não faz parte da agenda oficial de Lula divulgada para a imprensa brasileira.

Marco Aurélio disse à BBC Brasil que o encontro não será realizado porque o presidente retornará um pouco antes do previsto ao Brasil, já que no dia seguinte partirá para a China, onde participa da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim.

"Foto"
Segundo o analista Rosendo Fraga, do Centro de Estudos Nova Maioria, o convite a Chávez teria sido feito "na última hora" para "equilibrar o peso" da visita de Lula ao país, logo depois da pior crise política vivida pela presidente em sete meses de governo (com o setor rural).

"Em vez de uma foto com Lula, Cristina parece que preferia, nesse momento, uma foto também com Chávez", interpretou.

Na entrevista que concedeu no sábado, Cristina destacou a importância da viagem "inédita" de Lula com mais de 200 empresários e, em seguida, ressaltou que a Venezuela deve integrar o Mercosul.

O país presidido por Chávez aguarda aprovação dos congressos do Brasil e do Paraguai para oficializar essa integração.

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