Após Doha, Brasil e Argentina tentam aparar arestas

BUENOS AIRES - Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Cristina Kirchner se reúnem na segunda-feira em Buenos Aires para tentar aparar as arestas surgidas durante as recentes negociações na Organização Mundial do Comércio.

Redação com agências internacionais |

Lula tomou café-da-manhã com uma comitiva de mais de 250 empresários que o acompanham, e depois partiu para um hotel onde, junto com Cristina, vai inaugurar um seminário empresarial binacional.

Em seguida, ele fará uma reunião oficial com a colega na Casa Rosada, como parte de um mecanismo regular de revisão da relação bilateral criado por ambos.

O Brasil tentou até o último instante que a fracassada Rodada de Doha da OMC culminasse com um acordo que abriria o setor industrial dos países menos desenvolvidos.

Mas a Argentina rejeitou tal opção, por considerar limitada a contrapartida que era oferecida pelos países ricos na abertura de seus mercados agropecuários.

"É verdade, tivemos posturas diferentes entre Argentina e Brasil", disse Cristina em entrevista coletiva no sábado, quando afirmou que o tema seria discutido nos encontros bilaterais de segunda-feira.

"Que tenhamos diversidades e processos econômicos ou históricos ou sociais diferentes não significa que não se possam articular igualmente propostas comuns. Acho que nesse sentido podemos fazer e, de fato, estamos fazendo", acrescentou. Cristina afirmou ainda os dois países atravessam uma relação "inédita".

"A grande presença de empresários argentinos e brasileiros visualiza muito claramente um aumento muito especial que vive nossa relação bilateral", disse a presidente argentina.

Lula e Cristina almoçarão na sede da chancelaria argentina, onde os empresários de ambos os países realizarão reuniões.

A Argentina precisa manter o ritmo dos investimentos estrangeiros num momento em que a economia se desacelera, o que é resultado em parte dos recentes conflitos entre o governo e o setor rural.

"Estamos atravessando uma etapa de crescimento e, além disso, uma comunhão entre ambas as gestões poucas vezes vista, eu diria inédita, na história comum entre Brasil e Argentina", acrescentou a presidente.

"A visita tem um forte componente de investimentos, e para nós os investimentos são sinônimo de trabalho", disse no domingo o chefe de gabinete da Casa Rosada, Sergio Massa.

"Estamos perante uma oportunidade que não podemos perder", disse Cristina, para a qual "esta região será no século XXI protagonista, e não mera observadora".

Visita

Lula, que chegou domingo à noite a Buenos Aires acompanhado de uma grande representação empresarial e de boa parte de seu Gabinete, participará nas próximas horas em uma minicúpula com Cristina e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, antes de concluir sua visita à Argentina.

(*Com informações da Reuters e EFE)

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