Após dia de quedas, bolsas dos EUA têm instabilidade

As principais bolsas de valores dos Estados Unidos têm um dia de instabilidade nesta quinta-feira, um dia após fecharem com quedas significativas e em meio à divulgação de novos dados sobre a economia americana. No início dos negócios, o índice Dow Jones, da Bolsa de Valores de Nova York, chegou a registrar alta de mais de 1%, mas por volta das 11h30, hora de Brasília, já operava com recuo de 1,54%.

BBC Brasil |

No dia anterior, a bolsa nova-iorquina fechou em baixa de quase 8% - a maior em um único dia desde outubro de 1987.

Nesta quinta-feira, o Federal Reserve disse que a produção industrial nos Estados Unidos sofreu sua maior queda em mais de 30 anos em setembro, caindo 2,8%. No entanto, o banco disse que a queda foi provocada pelos furacões Gustav e Ike.

Também houve mais desdobramentos negativos no setor bancário, com o Citigroup e o Merrill Lynch anunciando perdas no terceiro trimestre. O Citigroup disse que perdeu US$ 2,8 bilhões, comparados com um lucro de US$ 2,2 bilhões no mesmo período do ano passado.

Por outro lado, novos dados sobre a inflação americana mostram que não houve variação nos preços em setembro - em grande parte devido à queda nos preços do petróleo. Analistas afirmam que isso significa que o Federal Reserve (o banco central americano) terá mais espaço para mais cortes nas taxas de juros para tentar conter o enfraquecimento da economia americana.

Europa e Ásia
Na Europa, o índice FTSE 100, o Cac 40 da Bolsa de Paris, e o Dax, de Frankfurt registraram baixas pela manhã. Houve sinais de uma pequena recuperação, mas novas quedas foram registradas no início da tarde.

O índice Nikkei, da Bolsa de Valores de Tóquio, registrou uma queda de 11,4% no fechamento do pregão - a maior em 20 anos.

O índice Hang Seng, da bolsa de Hong Kong, caiu 7,6%; o principal indicador da bolsa da Austrália, 6,7%; e o da Índia, 4%.

A queda das bolsas já reverteu boa parte dos ganhos registrados no começo da semana, num momento em que temores de uma recessão neutralizaram o otimismo sentido depois que os governos dos Estados Unidos e de vários países europeus anunciaram pacotes de ajuda aos bancos.

O receio de um desaquecimento da economia mundial também levou a uma redução no preço do petróleo. O barril do petróleo do tipo leve vendido nos Estados Unidos com entrega para novembro chegou a US$ 71,64, sua cotação mais baixa dos últimos 14 meses.

Confiança
Há sinais de que as injeções de recursos dos bancos centrais ainda não restauraram a confiança no setor bancário.

O analista econômico da BBC Robert Peston, disse que os bancos ainda não estão emprestando dinheiro entre si em uma taxa de juros considerada normal em relação aos juros oficiais.

Isto seria preocupante pois significa que os bancos provavelmente não vão realizar empréstimos a taxas mais competitivas para consumidores e empresas.

Depois da divulgação, na quarta-feira, de que o índice de vendas no varejo registrado nos Estados Unidos entre agosto e setembro caiu 1,2%, muitos investidores ficaram convencidos de que a economia americana está realmente a caminho de uma recessão.

Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve (banco central americano), advertiu que a economia de seu país enfrenta agora "uma ameaça significativa" com a crise de retração de crédito.

Em discurso em Nova York, Bernanke disse que os Estados Unidos evitaram os erros que ajudaram a lançar o país na Grande Depressão da década de 30.

Ele prometeu que o Federal Reserve vai continuar a combater a crise de crédito, mas advertiu que vai levar tempo para sanear a economia americana.

"A volatilidade dos mercados financeiros e as pressões para capitalizar empresas da área financeira representam uma ameaça significativa ao crescimento econômico", afirmou.

"A última década mostrou que bolhas que estouram podem ser um fenômeno extraordinariamente perigoso e custoso para a economia dos Estados Unidos."

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