Após dez meses preso, Cacciola deixa Mônaco rumo ao Brasil

Após dez meses preso em Mônaco, o ex-banqueiro Salvatore Cacciola deixou o principado de helicóptero às 13h45 desta quarta-feira, no horário local (8h45 em Brasília), e já está na França, de onde parte à noite rumo ao Brasil, disse à BBC Brasil o diretor dos Serviços Judiciários de Mônaco, Philippe Narmino. O governo brasileiro vai finalmente levar o ex-dono do Banco Marka de volta ao país, mas precisará também pagar, segundo Narmino, uma conta de 22,5 mil euros (quase R$ 57 mil) à Justiça de Mônaco, que foi obrigada a traduzir novamente documentos relativos à extradição enviados pelas autoridades brasileiras.

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"Pedi o reembolso apenas verbalmente. Nós arcamos com alguns gastos, isso é natural, mas cabe ao país que solicita a extradição fornecer os documentos corretamente traduzidos", disse o ministro monegasco. "Nesse processo, eles estavam ilegíveis e não podiam ser utilizados."

Arquivo
O ex-banqueiro Salvatore Cacciola

A necessidade de retraduzir para o francês a sentença de condenação de Cacciola no Brasil, um calhamaço de 553 páginas, solicitada pela defesa do ex-banqueiro em dezembro de 2007, arrastou o processo por cerca de dois meses no Tribunal de Apelações de Mônaco, que concedeu parecer favorável à extradição somente em abril.

Atrasos

Atrasos na tradução dos documentos enviados pelo Brasil levaram a inúmeros adiamentos de audiências no Tribunal de Apelações de Mônaco para analisar o pedido de extradição de Cacciola.

Segundo Narmino, a prisão do ex-banqueiro é a mais longa já ocorrida no principado em casos desse tipo. O príncipe Albert de Mônaco autorizou a extradição no dia 4 de julho.

"Acredito que esse seja o tempo mais longo que alguém, sob o regime de detenção provisória em um processo de extradição, tenha ficado preso em Mônaco", afirmou o ministro do principado.

Cacciola foi detido no principado no dia 15 de setembro. O governo brasileiro entregou o pedido de extradição pouco mais de um mês depois.

Mas além de problemas na tradução dos documentos, a defesa de Cacciola também multiplicou manobras para tentar impedir sua extradição para o Brasil.

O advogado monegasco do ex-banqueiro, Frank Michel, entrou com recursos na Justiça de Mônaco, na Corte Européia de Direitos Humanos e até mesmo no Comitê contra a Tortura da ONU.

"Não éramos obrigados a esperar a decisão em relação a todos esses recursos, inclusive o que foi solicitado ao Tribunal de Revisão de Mônaco, poderíamos ter realizado a extradição há meses, mas quisemos que todos os procedimentos fossem levados até o fim porque não queríamos dar nenhuma brecha a críticas", disse Narmino.

"Quisemos ser perfeitos e redobramos os esforços devido à forte pressão do governo brasileiro e à grande repercussão na mídia do Brasil", afirmou o diretor dos Serviços Judiciários de Mônaco.

Cooperação

Segundo o ministro monegasco, a extradição de Cacciola representa "um belo exemplo da cooperação judiciária entre Mônaco e o Brasil".

De acordo com Narmino, Cacciola está sendo escoltado por três agentes da Polícia Federal brasileira e um representante do Ministério da Justiça do Brasil.

Cacciola foi de helicóptero até Nice, no sul da França, e seguiu para o aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, onde embarcaria à noite para o Brasil.

A polícia francesa informou à BBC Brasil que, em casos desse tipo, quando o preso apenas transita pelo território francês, a polícia apenas é informada das operações, mas não desloca agentes para acompanhar a pessoa que será extraditada.

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