Após deter líder, Espanha diz que ETA teve piores meses da história

Madri, 28 fev (EFE).- A detenção hoje na França de Ibon Gogeascoetxea, que acredita-se ser o líder máximo da ETA, encerrou hoje os dois piores meses da história da organização terrorista, como afirmou o ministro do Interior da Espanha, Alfredo Pérez Rubalcaba.

EFE |

Na entrevista coletiva em que informou da operação, realizada de forma conjunta entre Espanha e França, o ministro disse que o detido "é o principal líder da ETA no momento", pois comandava o aparato militar da organização, que "é o que manda".

O chefe da ETA foi capturado por volta das 2h (Brasília) em uma casa rural da cidade de Cahan, na região da Baixa Normandia, no noroeste da França. Junto a ele, foram detidos dois prováveis terroristas, Beñat Aguinagalde e Gregorio Jiménez Morales.

Aguinagalde e Morales formavam um "comando especial" disposto a atravessar para a Espanha "com as piores intenções", explicou o ministro.

Do seu posto, Gogeascoetxea, o quinto líder da ETA capturado em menos de dois anos, se encarregou de fornecer armas, explosivos e veículos aos responsáveis por atentados.

"Agora são os das pistolas os que mandam", ressaltou Rubalcaba, ao destacar a "grande transcendência" da detenção não só de Gogeascoetxea, mas de Aguinagalde (suposto assassino de um empresário e um vereador) e Morales, dedicado ao transporte de material para o grupo.

A operação antiterrorista segue aberta na cidade, onde o chefe da ETA já estaria preparando os dois companheiros para penetrar na Espanha, explicou o ministro do Interior.

Na casa onde foi feita a detenção, a Polícia apreendeu até agora duas pistolas, um revólver, uma quantidade relativamente pequena de explosivos, computadores, material de informática, dinheiro, material para a fabricação de esconderijos e algemas.

A presença de algemas é "pouco habitual" entre os comandos da ETA, segundo o ministro. Membros da luta antiterrorista espanhola indicaram à Agência Efe que os objetos costumam estar relacionados com a realização de sequestros.

O novo golpe contra a ETA é dado na mesma semana em que as policias espanhola e francesa encontram em território francês uma casa que a organização usava para a fabricação de explosivos, assim como um cativeiro que ocultava fios detonantes.

Com a detenção de Gogeascoetxea, o ministro ressaltou que "caíram sucessivamente todos os chefes militares" da ETA desde a detenção de Francisco Javier López Peña ("Thierry"), também na França, em maio de 2008.

Esses 'chefes militares' são Garikoitz Aspiazu ("Txeroki"), Aitzol Iriondo e Jurdan Martitegi, detidos em novembro de 2008, dezembro desse mesmo ano e abril de 2009, respectivamente O ministro espanhol não duvidou em afirmar que os dois últimos meses "foram os dois piores para ETA em toda sua história".

Nesse período, Rubalcaba lembrou que a Polícia fez 32 detenções (uma a cada dois dias), apreendeu quase 2 mil quilos de explosivos, de detonadores e pistolas, e inutilizou uma possível base logística da organização em Portugal.

"Isso não nos livra do risco de um atentado. A ETA tem as piores intenções. Não podemos baixar a guarda. Não podemos dizer aos espanhóis que estamos livres de ter um atentado, porque seria falso", ressaltou o ministro. EFE nac/rr

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