Após descobrir célula terrorista, Alemanha cria registro para neonazistas

Ministro anunciou criação de registro nacional para ultradireitistas, similar ao banco de dados para extremistas islâmicos

iG São Paulo |

O ministro do Interior da Alemanha, Hans Peter Friedrich, anunciou nesta quarta-feira a criação de um registro central nacional de neonazista e ultradireitistas perigosos, semelhante ao banco de dados existente sobre extremistas islâmicos. “Os dados sobre extremistas de direitas violentos e crimes de motivação política ultradireitista serão unificados", afirmou Friedrich ao jornal Süddeutsche Zeitung.

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EFE
Fotos cedidas pela polícia alemã datadas de 1998 que mostra Uwe Böhnardt e Uwe Mundlos

Dessa forma, o governo pretende evitar que os diferentes serviços secretos dos 16 Estados federados do país e o Escritório Federal de Investigação Criminal trabalhem de forma descoordenada.

Nessa semana, as autoridades alemãs descobriram a existência de uma célula terrorista neonazista a partir do suicídio de dois de seus membros e a prisão da terceira integrante, culpados de assassinatos e numerosos atentados.

Por conta disso, Friedrich declarou que seu Ministério estudará também a possibilidade de proibir o ultradireitista Partido Nacional Democrata Alemão.

A expectativa é que a suposta extremista detida – e única sobrevivente da célula terrorista neonazista – inicie hoje um depoimento detalhado, segundo informações do jornal Stuttgarter Nachrichten.

Beate Zschäpe, 36 anos, se entregou à polícia depois da explosão da casa que dividia com os outros dois supostos membros do comando terrorista: Uwe Mundlos, 38 anos, e Uwe Böhnardt, 34.

Os dois, apontados como autores materiais dos assassinatos de nove estrangeiros, haviam sido encontrados mortos previamente na cidade de Eisenach, depois de um suposto suicídio.

Para os investigadores, a mulher é uma peça-chave para esclarecer uma série de assassinatos, cometida entre 2000 e 2007, revelada agora devido à aparição dos corpos dos dois membros do trio terrorista.

Nesta quarta, a Procuradoria Federal, a maior autoridade da Alemanha na luta antiterrorista, não encontrou até o momento indícios de que a célula descoberta tivesse algum tipo de relação com os serviços de contraespionagem do Estado federado da Turíngia.

"Não dispomos de indício algum que sustente afirmações nesse sentido", apontou o procurador-geral da República, Rainer Griesbaum, em declarações publicadas na edição digital do jornal Badische Neueste Nachrichten.

Griesbaum acrescentou que os investigadores consideram que a célula terrorista é, de fato, formada apenas pelos dois homens e pela mulher. O outro detido, Holger G., 37 anos, capturado em Hannover, é considerado um colaborador, embora Griesbaum tenha afirmado que a investigação está estudando minuciosamente o entorno do trio em busca de outros possíveis colaboradores.

O procurador-geral declarou que os investigadores também tentam averiguar quais outros crimes foram cometidos pela célula, autodenominada "Clandestinidade Nacional-Socialista" (NSU), além do assassinato de nove pequenos comerciantes estrangeiros e uma policial, assim como outros atentados.

Os meios de comunicação alemães especulam desde que foi descoberta a existência do grupo terrorista sobre a possibilidade de que recebesse apoio ou proteção de algum membro dos serviços de contraespionagem alemães, visto que conseguiu atuar impunemente por mais de uma década.

Com EFE

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