Após derrota política, Governo argentino anula aumento de impostos agrícolas

Hernán Di Bello Buenos Aires, 18 jul (EFE).- Após sofrer sua primeira grande derrota política, o Governo argentino anunciou hoje que recuou sobre a idéia de aumentar os impostos às exportações de grãos, que há quatro meses desencadeou um conflito com o setor agrário.

EFE |

A decisão do Executivo de Cristina Fernández de Kirchner de suspender o sistema que taxava de forma móvel as exportações de grãos foi bem recebida pelas patronais agropecuárias.

A oposição também considerou hoje que o Governo fez o correto, depois da rejeição do Senado à medida na madrugada de quinta-feira com o voto decisivo do vice-presidente do país, Julio Cobos, o que foi um grande revés política para o Executivo.

O anúncio sobre a suspensão do aumento de impostos foi feito pelo chefe de Gabinete, Alberto Fernández, que se limitou a ler o texto do decreto com a assinatura de Cristina.

A presidente deve utilizar este mecanismo para deixar sem efeito a alta dos impostos à exportação de grãos.

O antigo decreto de lei de Cristina desencadeou uma onda de mobilizações e protestos do setor agropecuário que provocaram perdas milionárias ao país e um severo desgaste da governante, que viu sua popularidade despencar entre os argentinos.

O novo decreto, que entrará em vigor após ser publicado em Diário Oficial na próxima segunda-feira, estabelece que os níveis tributários para as exportações de soja, trigo, milho e girassol voltem a ser os estabelecidos em novembro.

Portanto, no lugar do chamado esquema de retenções móveis que estava em vigor desde março, as exportações de grãos voltarão a ter impostos fixos.

As taxas serão de 35% para a Soja, de 28% para o trigo, de 25% para o milho e de 23 % para as sementes de girassol.

O presidente da Sociedade Rural Argentina (SRA), Luciano Miguens, disse que a decisão do Executivo porá fim a mais de quatro meses de conflito.

"Permite pensar em um projeto de superação para recuperar o tempo perdido", enfatizou Miguens, que acrescentou que ainda é preciso "abordar uma extensa agenda" de pedidos para alcançar benefícios "no setor criador de gado, leiteiro, nas economias regionais e na agricultura".

"É uma boa notícia em princípio, mas é preciso aprofundá-la mais.

Ainda falta um tratamento diferente de impostos com os pequenos e médios produtores", defendeu o presidente da Federação Agrária Argentina (FAA), Eduardo Buzzi, em declarações à imprensa.

Para Elisa Carrió, uma das principais dirigentes da oposição, "é muito boa a reação da presidente" e a suspensão das retenções móveis "permite resolver o conflito" com o campo.

"Esta decisão abre a porta para que, a partir da próxima semana, se possa começar a tratar a agenda postergada, que engloba a inflação, a situação energética e o problema dos aposentados", ressaltou Carrió.

"Era o que o Governo tinha que fazer", ressaltou Gerardo Morales, presidente da União Cívica Radical, a segunda força parlamentar do país.

Após anunciar a suspensão do polêmico esquema tributário, o chefe de Gabinete deu a entender que é provável que no futuro o Governo envie ao Parlamento outro projeto relacionado com os tributos às exportações de grãos.

A Argentina é o maior exportador mundial de girassol, o segundo de milho, o terceiro de soja, o quarto de trigo e o sexto de carne bovina, além de ocupar posições importantes no comércio global de óleos vegetais e farinha. EFE hd/rr

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