Após derrota em eleição, Partido Colorado entra em crise

Assunção, 22 abr (EFE).- A crise no Partido Colorado do Paraguai se agravou com a troca de acusações entre seus dirigentes e a renúncia de uma ministra, passados dois dias da histórica derrota da legenda no pleito presidencial.

EFE |

A queda do partido após 61 anos de poder desencadeou uma caça aos culpados entre os setores que apóiam o chefe de Estado, Nicanor Duarte, promotor da candidatura presidencial de Blanca Ovelar, e os seguidores do ex-vice-presidente do país Luis Castiglioni, que não participou da campanha.

A situação motivou uma série de reuniões entre os líderes governistas, que nesta terça-feira compareceram em peso à sede do Governo para mostrar seu apoio a Duarte.

O deputado José Chamorro, por exemplo, disse que, assim como Duarte, "Castiglioni é um líder indiscutível" de um dos movimentos do Partido Colorado, mas terá de impor sua liderança sobre o presidente em futuras disputas internas.

Por sua vez, o ex-companheiro de chapa de Castiglioni nas primárias de dezembro, Javier Zacarías Irún, afirmou que a derrota de domingo "tem nome e sobrenome", em alusão a Duarte, que deverá presidir o partido quando deixar o poder.

Zacarías, que é de Alto Paraná, um dos maiores colégios eleitorais do país e onde o Movimento Vanguardia Colorada, liderada por Castiglioni, domina, disse ainda que o chefe de Estado atuou com "soberba e imposição" durante a campanha eleitoral.

Já o deputado Arístides De la Rosa, líder do Colorado na Câmara dos Deputados, declarou, após uma reunião com Duarte, que o parido está fazendo uma autocrítica e trabalhando para retomar o poder daqui a cinco anos.

"Hoje temos a triste experiência de ter de experimentar, de viver, a queda do partido", disse De la Rosa.

Quando votou no domingo, Castiglioni disse que os dirigentes políticos do país "se preocupam com sua fortuna e esquecem do povo".

Segundo ele, esse fenômeno se repete "dentro de todos os partidos" e, em particular, no seu, que "sofre de uma infecção grave".

Diante dessas afirmações, o presidente dos "colorados", José Alberto Alderete, que substitui Duarte no cargo até a transferência de poderes, se disse irritado em entrevista coletiva e anunciou que o tribunal de conduta do partido analisará medidas disciplinares contra o ex-vice-presidente.

Castiglioni virou um duro crítico de Duarte e seus aliados devido ao apoio deste último à candidatura de Blanca, ex-ministra da Educação, nas primárias de dezembro, que, segundo o ex-vice, foram fraudadas.

A série de acusações entre os "colorados" também motivou ontem a renúncia da ministra da Mulher, María José Argaña, que afirmou estar "frustrada" com a gestão de Duarte durante a campanha eleitoral.

A crise no Partido Colorado ficou refletida nas urnas, nas quais o ex-bispo Fernando Lugo, à frente de uma ampla coalizão, derrotou Ovelar por uma diferença de 174.414 votos, segundo os resultados oficiais.

No pleito, a ex-ministra da Educação obteve 530.552 votos, enquanto nas primárias tinha conseguido 366.722 votos de 814.046 eleitores, o que revela o pouco apoio que teve no domingo.

Além da derrota nas urnas, os "colorados" perderam o controle de vários departamentos (estados), como os de Misiones (sul), San Pedro (centro) e Cordillera (centro-sul), para o Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), principal suporte de Lugo.

O PLRA, segunda legenda mais forte do país, lidera a Aliança Patriótica para a Mudança (APC), integrada por partidos nanicos e grupos sociais, sindicais e de esquerda. EFE rg/sc

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