Nações Unidas, 21 mai (EFE).- A ONU reafirmou hoje seu compromisso com a luta para eliminar o assédio sexual entre seus funcionários após o diário The Wall Street Journal publicar que a Organização das Nações Unidas está infestada de casos dessa natureza.

"Saibam que o secretário-geral (da ONU, Ban Ki-moon) e todos nós temos uma política de tolerância zero em relação ao assédio sexual", afirmou hoje em coletiva de imprensa a representante do departamento de administração do organismo Angela Kane.

Ela lembrou, porém, que isso não quer dizer que não existam casos de assédio sexual, já que "em uma organização com milhares de empregados por todo o mundo há a possibilidade de que coisas do tipo ocorram".

Apesar de não ter falado em números, Kane apontou que nos últimos anos diminuíram o número de incidentes devido à firme política implantada por Ban Ki-moon.

Segundo a informação publicada hoje pelo "Journal", os casos de assédio sexual atrapalham durante anos o sistema interno de Justiça do organismo, enquanto algumas empregadas não tiveram renovado seu contrato de trabalho após apresentarem denúncia.

Assinala que as pessoas que denunciaram serem vítimas de assédio sexual consideram que o procedimento das Nações Unidas é "arbitrário e injusto", a ponto de que em algumas ocasiões deixarem a investigação do ocorrido nas mãos de colegas do acusado.

Os autores das denúncias não têm a possibilidade de ir à Justiça dos países em que residem porque os funcionários das Nações Unidas gozam de imunidade diplomática e, portanto, somente estão sujeitos aos códigos de disciplina internos do organismo.

A ONU deve iniciar a partir do próximo dia 1º de junho novos procedimentos para facilitar a gestão das disputas trabalhistas internas, entre as quais se incluem casos de assédio sexual. EFE jju/rr

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