Após decisão judicial, S.G embarca com o pai rumo aos Estados Unidos

RIO DE JANEIRO - O menino S.G. embarcou com o pai, David Goldman, rumo aos Estados Unidos por volta das 11h50 desta quinta-feira no aeroporto do Galeão, na Ilha do Governador, zona norte do Rio de Janeiro. S.G. foi entregue ao pai pela família brasileira após determinação da Justiça.

Anderson Dezan e Rodrigo de Almeida |

S.G. e o pai viajaram em um jato particular, que foi fretado pela emissora norte-americana NBC. Eles chegaram ao avião em uma van cerca de 10 minutos antes da decolagem.  

AE

David Goldman acena ao embarcar com o filho em avião fretado

O padrastro e a avó do garoto não foram para o aeroporto. O advogado da família, Sérgio Tostes, disse que a avó foi impedida de acompanhar o menino na viagem. "O governo americano negou a ida dela e o governo brasileiro aceitou", criticou.

Já a porta-voz da Embaixada dos Estados Unidos, Orna Blum, negou nesta quinta-feira que a avó de S.G. não tenha conseguido autorização para ver o neto. Ela pode viajar, basta ter o visto e ela tem, afirmou. 

Chegada

AP

S. chega a consulado com o padrasto

S.G, de 9 anos, chegou bastante assustado ao consulado americano no Rio de Janeiro na manhã desta quinta-feira. Ele estava acompanhado do padrasto, o advogado João Paulo Lins e Silva, a avó materna, Silvana Bianchi, e o advogado da família, Sérgio Tostes. 

Houve enorme tumulto porque o carro da família parou em uma avenida próxima e todos vieram a pé por 200 metros até o prédio do consulado, cercados de repórteres, fotógrafos e cinegrafistas, que trocavam empurrões. O menino e Silvana estavam vestidos com camisas da seleção brasileira.

Orna Blum lamentou o fato do garoto ter chegado ao consulado pela rua e sido exposto a jornalistas e fotógrafos. Foi uma pena. Eu e o governo americano estamos cientes de que toda família teve a informação que eles tinham acesso pela garagem privada, afirmou.

O advogado da família de S.G., Sérgio Tostes, afirmou que essa opção não foi oferecida. Ninguém falou isso. Até que provem o contrário estão mentindo, disse.

O pai do garoto, David Goldman, que estava hospedado em um hotel em Copacabana, na zona sul do Rio, chegou ao consulado pouco antes das 8h em um carro oficial, com escolta policial.

Decisão

Na última terça-feira, o ministro Gilmar Mendes restabeleceu a decisão do TRF, que determinou que o garoto fosse levado aos Estados Unidos, cassando a liminar do colega Marco Aurélio Mello, que ordenava a permanência do menino no Brasil.

O TRF havia determinado que o garoto voltasse com o pai para os EUA em 48 horas, contadas a partir da última terça-feira (16/12). Após o parecer de Mendes, o TRF levou em consideração o período entre o anúncio de sua decisão e a divulgação da liminar de Marco Aurélio Mello, marcando o prazo final para a manhã desta quinta-feira.

O caso

S.G. veio para o Brasil em 2004 com a mãe, a estilista Bruna Bianchi. No Brasil, Bruna separou-se de David Goldman, não retornou aos EUA e, posteriormente, casou-se com o advogado João Paulo Lins e Silva. Em agosto de 2008, Bruna morreu durante o parto da segunda filha.

De lá para cá, Goldman e Lins e Silva disputam a guarda do menino. Na quarta-feira, a família materna de S.G. anunciou que não iria recorrer à decisão do STF. "A guerra acabou", disse o advogado Sérgio Tostes.

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