Após críticas, presidente visita áreas inundadas do Paquistão

Asif Ali Zardari foi criticado por manter agenda na Europa em meio à tragédia, contribuindo com imagem de ineficiência do governo

Reuters |

O presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, viajou nesta quinta-feira para uma área atingida por inundações nas últimas duas semanas, após ser criticado por ter mantido sua agenda na Europa em meio à crise, contribuindo com a imagem de ineficiência do governo.

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Homem puxa burros em meio às águas de enchentes na vila de Karampur, na Província de Sindh, Paquistão
As enchentes, causadas por fortes chuvas nas cabeceiras da bacia do rio Indo, deixaram um rastro de destruição de mais de mil quilômetros, de norte a sul do país, matando mais de 1,6 mil pessoas. Cerca de 14 milhões de pessoas - 8% da população - foram afetadas .

Autoridades preveem enormes prejuízos para a agricultura. A ONU lançou um apelo por US$ 459 milhões em ajuda humanitária e alertou que haverá mais mortes se a verba não chegar.

O Ministério das Finanças informou que, por causa da tragédia, o Paquistão não conseguirá atingir sua meta de 4,5% de crescimento do PIB neste ano. O ministério não divulgou uma nova estimativa.

Quando as inundações começaram, Zardari embarcou para visitas oficiais à Grã-Bretanha e à França. Dois dias depois de regressar ao Paquistão, ele viajou para a localidade de Sukkur, à beira do rio Indo, para inspecionar os danos e os trabalhos de emergência.

Centenas de estradas e pontes foram destruídas desde as montanhas do norte até as planícies da província meridional do Sindh, onde as águas ainda não recuaram. Incontáveis aldeias e fazendas foram inundadas, destruindo lavouras e criação de animais. Em alguns lugares, famílias inteiras estão encolhidas em pequenos trechos de terra encharcada, junto a seus animais, ilhados pela inundação.

Nos pontos de distribuição de alimentos, as pessoas disputam os mantimentos. A chegada do mês do Ramadã , quando os muçulmanos jejuam até o anoitecer, aumenta o nervosismo das pessoas.

"O governo (...) deveria fornecer água limpa e comida limpa para as pessoas", disse o padeiro Mohammad Ali, que disputava mantimentos no noroeste paquistanês. "O Ramadã chegou, mas não vemos sinais de que o governo nos dará nada disso."

As lavouras de trigo, algodão e açúcar sofreram danos consideráveis e a ONU alerta para uma segunda onda de mortalidade entre as vítimas por causa de doenças e escassez alimentar, caso a ajuda demore.

Os custos da reabilitação do setor agrícola podem chegar a bilhões de dólares, segundo Maurizio Giuliano, porta-voz das operações humanitárias da ONU.

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